O Índice B3 Tesouro IPCA Prazo 10 anos (TP10) avançou 1,78% em agosto de 2026 e liderou o ranking dos índices de renda fixa negociados na B3. O resultado colocou os investimentos ligados à inflação no centro do desempenho do mês e mostrou como as expectativas para juros influenciam o preço dos títulos, além da simples correção pelo IPCA.

Índices ligados à inflação ocuparam o topo do ranking

Os cinco primeiros colocados do levantamento da B3 acompanham títulos públicos ou privados indexados à inflação. Na segunda posição, o Índice DAP5 B3 (IDAP5) subiu 1,48% em agosto. O indicador reflete contratos futuros de Cupom IPCA, conhecidos como DAP, usados para negociar expectativas relacionadas à inflação e aos juros reais.

O Índice de Debêntures Incentivadas Ultra Qualidade IPCA B3 (IDIC) teve alta de 1,47% no mesmo período. Na sequência, apareceram o TP02, com ganho de 1,35%, e o TP05, com valorização de 1,31%. Esses dois índices acompanham títulos públicos com prazos próximos de dois e cinco anos, respectivamente.

Por que títulos longos oscilam mais

O TP10 acompanha uma carteira de títulos públicos federais corrigidos pelo IPCA e com prazo próximo de dez anos. Seu desempenho combina a proteção contra a inflação com a variação do preço dos papéis no mercado. Por isso, o retorno do índice em agosto não representa apenas a reposição da inflação acumulada.

Quando os investidores passam a projetar juros reais menores no futuro, os preços dos títulos prefixados ou vinculados ao IPCA tendem a subir, especialmente os de vencimento mais distante. Isso ocorre porque os papéis antigos podem se tornar mais atrativos em relação a novas emissões. O movimento também funciona no sentido contrário: uma piora nas expectativas de juros pode pressionar mais os títulos longos.

A alta do TP10 foi superior à dos índices de prazos menores, mas o avanço do TP02 e do TP05 mostra que o movimento positivo alcançou diferentes vencimentos. A maior sensibilidade dos papéis longos, porém, também significa maior oscilação quando mudam as projeções para a política monetária.

Crédito privado também apareceu entre os destaques

Além dos índices de títulos públicos e contratos ligados ao IPCA, o ranking incluiu referências de crédito privado. O IDEU, que acompanha debêntures de ultra qualidade atreladas ao CDI, subiu 1,28% em agosto. O IDEB, formado por debêntures com classificação AAA vinculadas ao mesmo referencial, avançou 1,26%.

Outros indicadores também registraram alta no mês: o TSLL e o TSLC subiram 1,18% cada, enquanto o ILFB avançou 1,16%. Os resultados indicam que o desempenho favorável não ficou limitado a uma única classe de renda fixa, embora os índices tenham exposições diferentes a inflação, juros, crédito e prazo.

ETFs permitem acompanhar as carteiras dos índices

Os índices da B3 servem como referência para ETFs, fundos negociados em bolsa que buscam replicar uma carteira de ativos. Entre os produtos relacionados aos índices que mais subiram em agosto estão NB1011, BDAP11, NB0211, NB0511, MARG11, LFTX11, NCDI11 e LFIX11.

O desempenho do índice, contudo, não garante retorno idêntico ao do ETF. Taxas de administração, custos de negociação e diferenças no acompanhamento da carteira podem afetar o resultado do fundo. Além disso, a existência de um ETF não elimina riscos ligados ao prazo, à liquidez ou à capacidade de pagamento dos emissores dos títulos.

O que o resultado de agosto indica para o investidor

O ranking mostra quais segmentos ganharam força no mercado durante agosto, mas não funciona isoladamente como uma indicação de investimento. O retorno de um índice passado não informa, por si só, como os títulos se comportarão nos meses seguintes, principalmente em um cenário de mudanças nas expectativas para inflação e juros.

Para acompanhar os próximos movimentos, o investidor precisa observar a trajetória do IPCA, as projeções para a política monetária e as condições do mercado de crédito. Títulos ligados à inflação podem oferecer proteção contra a perda do poder de compra, mas seus preços também oscilam antes do vencimento, sobretudo nos prazos mais longos.