A B3 adicionou 164 ativos ao mercado a termo nesta segunda-feira (17), sendo 99 fundos imobiliários (FIIs) e 65 BDRs Não Patrocinados. A medida amplia o número de alternativas para estratégias com exposição ao mercado imobiliário e a empresas internacionais, incluindo Berkshire Hathaway, Coca-Cola, Disney, Oracle, Palantir, TSMC e Visa.
Lista de FIIs a termo cresce quase seis vezes
Com a inclusão dos 99 novos fundos, a quantidade de FIIs disponíveis para operações a termo passou de 20 para 119. Isso representa um aumento de 495% em relação à lista anterior. Entre os ativos adicionados estão BRCO11, GGRC11, GSFI11, IRIM11, KNSC11, MCCI11 e PMLL11.
Na prática, a expansão permite que mais fundos imobiliários sejam usados em operações nas quais o preço é combinado no momento do negócio, mas a liquidação ocorre em uma data futura. A modalidade pode ser utilizada para assumir uma posição sobre a direção do preço, proteger uma carteira ou organizar o fluxo de caixa, sempre com exposição às oscilações do ativo.
BDRs ampliam acesso a empresas estrangeiras
O número de BDRs Não Patrocinados elegíveis para o mercado a termo subiu de 14 para 79, alta de 464%. Os BDRs são recibos negociados na B3 que representam ações emitidas no exterior; nos não patrocinados, a emissão não é diretamente coordenada pela companhia estrangeira.
A nova relação inclui BERK34, COCA34, DISB34, GSGI34, JPMC34, MUTC34, ORCL34, P2LT34, TSMC34 e VISA34. Assim, o investidor passa a contar com mais instrumentos vinculados a companhias globais dentro de uma modalidade de negociação que antes estava concentrada em uma quantidade menor de recibos.
Como funciona o mercado a termo
No mercado a termo, comprador e vendedor definem antecipadamente o preço, o prazo e as demais condições da operação. A liquidação financeira e a entrega do ativo, conforme o contrato, acontecem em uma data futura. No mercado à vista, por outro lado, a negociação é liquidada em prazo mais curto, de acordo com as regras desse segmento.
O contrato pode ser combinado com posições no mercado à vista, contratos futuros e opções. Isso permite estratégias de proteção, financiamento, gestão de caixa ou busca de ganhos com a variação de preços. Como há exposição ao mercado e exigência de garantias, perdas podem ocorrer caso o ativo se mova em sentido contrário ao esperado.
Volume movimentado supera R$ 12 bilhões em 2026
O mercado a termo já movimentou mais de R$ 12 bilhões em 2026, até o momento, com ticket médio de R$ 189 mil por operação. Em todo o ano de 2025, o volume negociado foi de R$ 22,9 bilhões. Os números mostram que a modalidade é utilizada principalmente por participantes de maior porte: investidores institucionais respondem por 73% dos negócios, enquanto pessoas físicas representam cerca de 17%.
A ampliação da lista não significa, por si só, que haverá aumento automático no volume negociado de cada ativo. A liquidez, a procura pelos contratos, as garantias exigidas e as condições definidas entre as partes continuam influenciando o uso efetivo da modalidade.
O que muda para quem investe e quais são os próximos passos
Para o investidor, a principal mudança é o aumento do leque de ativos que podem ser utilizados em operações a termo, especialmente entre FIIs e BDRs. Isso permite estruturar posições com horizontes e objetivos diferentes, mas também exige atenção ao prazo, ao preço contratado, às garantias e ao risco de oscilação.
A B3 informou que a expansão busca oferecer mais possibilidades de negociação conforme os objetivos e o momento do mercado. Cabe ao investidor avaliar se o produto é adequado ao próprio perfil e compreender as condições do contrato antes de operar. A partir de agora, o desempenho da nova lista dependerá da adesão dos participantes e da atividade nesses ativos.
