O rendimento do Treasury de dez anos, título de referência da dívida dos Estados Unidos, recuava para 4,76% nesta quinta-feira (3), ante 4,794% no pregão anterior. A queda, equivalente a 0,034 ponto percentual, reduziu a pressão sobre ativos de risco e ajudou o Ibovespa a avançar 0,65%, aos 186.416,20 pontos, por volta das 12h15, no horário de Brasília.

Por que a queda do Treasury favorece a bolsa brasileira

Quando o rendimento dos títulos americanos diminui, a remuneração oferecida pela renda fixa dos Estados Unidos fica relativamente menos atrativa. Isso pode estimular uma rotação de recursos para mercados emergentes, especialmente quando esses países também se beneficiam da alta das commodities, como petróleo e minério de ferro.

O movimento, porém, não elimina os riscos. A taxa de 4,76% continua elevada em termos históricos recentes e mantém influência sobre o custo de financiamento global. Ainda assim, a redução melhora a comparação entre os títulos americanos e ações brasileiras, além de diminuir a taxa usada pelos investidores para calcular o valor presente dos lucros futuros das empresas.

Declaração de Waller reforça expectativa sobre os juros dos EUA

O recuo dos rendimentos ocorreu depois de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, afirmar que está inclinado a manter os juros na próxima reunião de política monetária. A sinalização ajudou a reduzir a incerteza sobre uma eventual mudança imediata na taxa básica americana.

O S&P 500, um dos principais índices de ações dos Estados Unidos, subia 0,5%. Os investidores também avaliavam os indicadores econômicos antes da divulgação, na sexta-feira, de dados sobre o mercado de trabalho americano. A tensão no Oriente Médio permanecia no radar, sobretudo pelos possíveis efeitos sobre o fornecimento de petróleo.

Ibovespa mantém sequência positiva, mas perde força

Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 188.891,50 pontos, antes de reduzir os ganhos. O volume financeiro somava R$ 9,48 bilhões. Se terminar no campo positivo, o índice alcançará o 12º pregão consecutivo de alta.

Além do ambiente externo, o mercado acompanha o fluxo de investidores estrangeiros para as ações brasileiras. A trégua na saída de capital observada no fim de agosto alimentou a expectativa de retomada das compras, tanto no mercado à vista quanto nos contratos futuros ligados ao índice.

Eleição presidencial aumenta a volatilidade dos negócios

A corrida presidencial brasileira ganhou peso nas decisões de curto prazo, com investidores à espera de uma nova pesquisa Datafolha. A chamada exposição eleitoral aparece principalmente nos contratos futuros com vencimento próximo ao período posterior à eleição, refletindo apostas sobre os possíveis rumos da política econômica.

Analistas avaliam que uma correção depois da alta recente seria natural e não necessariamente indicaria exagero no movimento. A leitura predominante é que parte dos estrangeiros procura ações brasileiras que ainda estavam relativamente descontadas, enquanto o Ibovespa passou a apresentar uma tendência de alta depois de um período de indefinição.

CSN lidera altas, enquanto Vale passa por ajuste

Entre as ações, a CSN ON chegou a disparar quase 20% na máxima e subia 9,87% por volta das 12h15. O movimento ocorreu após a companhia anunciar Fabio Schvartsman como novo presidente-executivo, substituindo Benjamin Steinbruch, que assumirá a presidência do conselho. A troca foi considerada inesperada, mas positiva por responder a preocupações antigas de investidores.

Os bancos também avançavam: Itaú Unibanco PN subia 1,86%, Banco do Brasil ON ganhava 1,84%, Bradesco PN avançava 0,56%, Santander Brasil Unit tinha alta de 0,74% e BTG Pactual Unit subia 2,74%. Petrobras PN e ON avançavam 1,1% e 0,75%, respectivamente, acompanhando o petróleo Brent, que subia 0,67%, a US$ 96,26.

Na ponta negativa, Vale ON recuava 1,58%, em um ajuste após a valorização recente, apesar da alta de 1,32% do minério de ferro em Dalian. Para o restante do pregão, o mercado deve continuar dividido entre o alívio nos juros americanos, os dados de emprego dos EUA, a tensão geopolítica e as novas informações sobre a eleição brasileira.