As ações de Microsoft, Nvidia e Apple avançaram nesta quinta-feira, 13 de agosto, e ajudaram o S&P 500 a atingir uma nova máxima recorde durante o pregão em Nova York. O movimento combinou a recuperação das grandes empresas de tecnologia com a queda do petróleo e um dado de inflação ao produtor mais fraco que o esperado, fatores que reduziram a pressão sobre os juros americanos e aumentaram o apetite por risco.
Grandes empresas de tecnologia voltam a liderar os ganhos
A Microsoft subia 1,4%, enquanto a Nvidia avançava 0,6% e a Apple ganhava 0,5%. Com o peso elevado dessas companhias nos índices americanos, altas relativamente moderadas podem produzir um efeito relevante no desempenho geral do mercado.
O índice de tecnologia da informação do S&P 500 subia 1%, enquanto o Nasdaq Composite, mais concentrado em empresas de crescimento e tecnologia, avançava 0,92%, para 26.832,54 pontos. O movimento indica que investidores voltaram a direcionar recursos para ações que haviam ficado em segundo plano durante uma rotação para setores mais ligados ao ciclo econômico no início de julho.
Inflação ao produtor reforça expectativa de juros estáveis
O Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos ficou estável em julho na comparação mensal, enquanto os analistas projetavam alta de 0,1%. Na comparação anual, os preços ao produtor subiram 4,7%, abaixo da expectativa de avanço de 4,9%.
O indicador mede a variação dos preços cobrados às empresas e pode antecipar pressões que mais tarde chegam ao consumidor. Como o dado veio abaixo do previsto e se somou a números benignos da inflação ao consumidor de julho, aumentou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) não precisará elevar os juros na próxima reunião. Nos contratos futuros, a probabilidade de manutenção da taxa subiu para 65%, ante 60% antes da divulgação do PPI.
Petróleo recua após seis pregões de alta
Os contratos futuros do petróleo Brent caíam 2,2%, interrompendo uma sequência de seis sessões consecutivas de valorização. Os investidores passaram a avaliar a possibilidade de uma demanda global mais fraca ao longo do ano e de crescimento dos estoques de petróleo nos Estados Unidos.
A queda da commodity também ajudou as bolsas porque reduz o risco de uma nova pressão sobre a inflação. Petróleo mais barato tende a aliviar custos de transporte e produção e, em determinadas condições, pode diminuir a necessidade de juros elevados por mais tempo. O mercado, porém, continua acompanhando as tensões entre Irã e Estados Unidos e os impactos sobre o tráfego no Estreito de Ormuz, uma rota importante para o comércio de petróleo.
Wall Street avança em bloco, mas com liderança da tecnologia
Naquele momento do pregão, o Dow Jones subia 0,36%, para 53.960,29 pontos, enquanto o S&P 500 avançava 0,73%, a 7.805,02 pontos. O fato de os três principais índices estarem no campo positivo mostrou uma melhora disseminada, embora a tecnologia fosse o principal motor da alta.
As ações financeiras e de saúde também contribuíam para o desempenho do Dow Jones. A combinação de juros americanos aparentemente estáveis, inflação mais comportada e petróleo em queda favorece empresas consideradas mais sensíveis ao crescimento e reduz parte da cautela dos investidores com ativos de maior risco.
O que observar no mercado a partir de agora
Para quem investe, o novo recorde do S&P 500 mostra como dados de inflação e expectativas para o Fed continuam capazes de alterar rapidamente a direção das bolsas. Empresas de tecnologia tendem a reagir positivamente quando diminui a perspectiva de juros mais altos, porque uma taxa menor reduz o custo financeiro usado para avaliar lucros esperados no futuro.
O próximo foco será a evolução dos preços, do mercado de trabalho e das condições do petróleo, além das decisões do Fed. A permanência das tensões geopolíticas ou uma retomada dos preços da commodity pode recolocar a inflação no centro das preocupações, enquanto novos sinais de desaceleração podem sustentar a expectativa de juros estáveis. A movimentação desta quinta-feira, portanto, reflete mais uma reavaliação das perspectivas econômicas do que uma garantia de continuidade das altas.
