O Itaú BBA selecionou sete títulos de crédito privado para sua carteira recomendada de setembro, distribuídos entre papéis atrelados ao IPCA, prefixados e vinculados ao CDI. As taxas indicativas chegam a IPCA mais 9,52% ao ano ou a aproximadamente 120% do CDI em uma comparação com investimentos tributados, mas os valores foram calculados com base nos preços de mercado de 1º de setembro e podem mudar nas negociações seguintes.
Carteira reúne títulos para três perfis de risco
A seleção inclui debêntures incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Esses instrumentos são formas de financiar empresas e projetos, e os papéis mencionados têm isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, conforme a estrutura de cada emissão.
As recomendações foram divididas entre perfis conservador, moderado e arrojado. Rede D’Or, Multiplan e Iguatemi aparecem nas alternativas conservadoras, todas com classificação de risco AAA. No outro extremo, Assaí e Brasil Terrenos foram colocados entre as opções para investidores arrojados. A classificação de risco indica a capacidade esperada de pagamento do emissor, mas não elimina riscos de crédito, de mercado ou de liquidez.
Assaí oferece a maior taxa atrelada à inflação
Entre os papéis indexados ao IPCA, o título do Assaí apresenta a maior remuneração: inflação mais 9,52% ao ano, com vencimento em 16 de outubro de 2028. Apesar do rating AAA, o Itaú BBA classificou o ativo como arrojado porque a companhia atravessa um ciclo acelerado de expansão, com mais de 160 lojas inauguradas desde 2019, dentro de uma rede que soma 313 unidades.
Para o perfil moderado, a carteira indica um título da LOG Commercial Properties, com retorno de IPCA mais 8,87% ao ano e vencimento em 15 de outubro de 2031. A avaliação considera os baixos níveis de vacância e inadimplência e o crescimento dos aluguéis acima da inflação. A alternativa conservadora é a Rede D’Or, que paga IPCA mais 7,59% ao ano e vence em 15 de dezembro de 2036.
Prefixados e CDI completam as opções
Na parcela prefixada, a Multiplan oferece taxa de 13,89% ao ano, com vencimento em 15 de janeiro de 2031. O banco destaca a liquidez financeira, a alavancagem controlada e a geração de caixa da companhia, além da exposição a consumidores de maior renda.
Brasil Terrenos, por sua vez, paga 14,66% ao ano em um título que vence em 16 de agosto de 2032 e foi destinado ao perfil arrojado. A empresa também aparece na categoria vinculada ao CDI, com remuneração de 101,69% do indicador e vencimento em 15 de agosto de 2030. O segmento de loteamentos, porém, é mais sensível ao ciclo econômico e às condições de financiamento.
No papel da Iguatemi, a taxa nominal é de 93,76% do CDI, com vencimento em 15 de junho de 2032. Como há isenção tributária, o Itaú BBA estima que o retorno corresponda a cerca de 110% do CDI quando comparado a uma aplicação sujeita a impostos.
Como interpretar as taxas e os riscos
O CDI acompanha de perto a taxa básica de juros e serve como referência para vários investimentos de renda fixa. Já um título atrelado ao IPCA combina a variação da inflação com uma taxa fixa, protegendo, em tese, o poder de compra até o vencimento. Nos prefixados, o retorno contratado é conhecido desde a compra, mas o preço pode oscilar antes do prazo final.
A isenção de Imposto de Renda aumenta o retorno líquido desses papéis em comparação com investimentos tributados. Ainda assim, a taxa mais alta costuma vir acompanhada de maior exposição a riscos específicos da empresa, do setor ou da negociação no mercado secundário.
Fluxo para fundos ajuda a sustentar o crédito privado
O Itaú BBA avalia que os prêmios oferecidos pelo crédito privado permaneceram relativamente estáveis em agosto, mesmo com novas reestruturações de dívidas anunciadas por algumas empresas. A melhora do fluxo para os fundos ajudou a sustentar esse cenário.
Os fundos tradicionais de crédito privado registraram captação líquida de aproximadamente R$ 6,2 bilhões em agosto. Nos fundos de infraestrutura, houve desaceleração dos resgates. Para quem acompanha esses ativos, o próximo passo é observar a evolução das condições de mercado e lembrar que as taxas indicativas podem mudar diariamente, conforme os preços e a liquidez dos títulos.
