O IMA-B, índice que acompanha títulos públicos atrelados à inflação, subiu 1,58% em agosto e acumula alta de 6,75% em 2026. O resultado fez os papéis de inflação liderarem o desempenho entre as nove classes de renda fixa monitoradas pela Anbima no mês, embora ainda estejam atrás dos pós-fixados e dos prefixados no acumulado do ano.

Inflação menor e Selic em queda ajudaram os títulos

O movimento ocorreu em um ambiente de inflação mais fraca e expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário. O IPCA-15 registrou deflação de 0,40% em agosto, ante uma previsão de queda próxima de 0,30%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,52% para 4,24%.

Além disso, o Comitê de Política Monetária reduziu a Selic para 14% ao ano no início de agosto. A próxima reunião está marcada para 16 de setembro. Quando o mercado passa a esperar juros básicos menores, as taxas negociadas nos títulos tendem a cair, elevando o preço dos papéis que já estão na carteira.

Por que os títulos longos ganharam mais

O principal mecanismo por trás do resultado foi a chamada marcação a mercado, que atualiza diariamente o preço de um título conforme as taxas exigidas pelos investidores. Nos papéis de prazo mais longo, uma queda nos juros costuma provocar uma valorização maior.

O IMA-B tem duration — prazo médio de recebimento dos pagamentos — superior ao de outros índices. Em agosto, os juros reais de longo prazo recuaram de forma mais consistente. Assim, a combinação entre prazo elevado e queda das taxas reais ampliou o ganho dos títulos atrelados à inflação. O vencimento do Tesouro IPCA+ 2026, no meio do mês, também aumentou a demanda por títulos públicos e ajudou a pressionar as taxas para baixo.

Como o IMA-B se compara às outras classes

Em agosto, o IMA-B superou as debêntures ligadas ao IPCA não incentivadas, que renderam 1,40%, as incentivadas, com 1,26%, os títulos públicos pós-fixados do IMA-S, com 1,11%, e os prefixados do IRF-M, com 1,04%.

No acumulado de 2026, porém, o cenário ainda é diferente. As debêntures atreladas ao DI lideram, com 9,81%, seguidas pelo IMA-S, com 9,47%. Os prefixados acumulam 7,06%, acima dos 6,75% do IMA-B. Na outra ponta, as debêntures incentivadas de infraestrutura sobem 3,74% no ano.

Agosto foi virada ou apenas um repique?

Há divergência sobre a duração desse movimento. Uma avaliação é que agosto marcou o início de uma recuperação mais persistente dos títulos indexados à inflação, que vinham com desempenho mais modesto e carregavam prêmios elevados.

Outra leitura é que o resultado foi apenas um repique. Para essa corrente, seriam necessários mais dois ou três índices de inflação abaixo das expectativas e uma sinalização fiscal mais clara para caracterizar uma tendência. Sem maior previsibilidade para as contas públicas, os títulos longos continuam sujeitos à volatilidade provocada por notícias econômicas, fiscais e eleitorais.

O que observar nos próximos meses

A diferença entre os títulos públicos e as debêntures incentivadas também mostra que o indexador não explica sozinho o retorno. As incentivadas têm duration estimada entre 12 e 15 anos, contra 5 a 7 anos nas não incentivadas, e sofreram com o aumento da oferta de emissões e a abertura dos spreads de crédito. Recuperações judiciais em um ambiente mais turbulento também pressionaram as taxas exigidas pelos investidores.

Para os próximos meses, inflação, decisões do Copom, trajetória dos juros reais e percepção sobre a política fiscal serão determinantes. O avanço de agosto melhora o desempenho acumulado do IMA-B, mas ainda não elimina a diferença em relação aos pós-fixados nem confirma uma mudança definitiva de tendência.

Impacto para a sociedade

A combinação de inflação mais fraca e expectativa de novos cortes da Selic influencia o custo de empréstimos e financiamentos, além da remuneração de aplicações financeiras. Para quem trabalha e consome, juros menores podem aliviar o crédito gradualmente, mas a inflação e as decisões do Banco Central continuam afetando o orçamento das famílias.