O Ibovespa futuro recuava 0,13%, aos 170.970 pontos, na manhã desta quinta-feira (20), enquanto o dólar voltava para perto de R$ 5,20. O movimento refletia o novo cerco econômico anunciado por Donald Trump contra o Irã e a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, que reduz o apetite global por ativos de risco, como ações brasileiras.

Pressão veio da escalada entre Estados Unidos e Irã

Trump afirmou que países e empresas que mantiverem relações comerciais com o Irã poderão sofrer “consequências econômicas tremendas”. O presidente americano também disse que as medidas representarão uma guerra econômica e um isolamento em escala sem precedentes.

A ameaça elevou a percepção de risco no mercado e impulsionou o petróleo pelo quinto dia consecutivo. Às 9h, o contrato do Brent para outubro subia 0,56%, a US$ 91,53 por barril, enquanto o WTI avançava 0,57%, a US$ 84,54. A preocupação é que sanções mais amplas afetem a oferta ou o transporte da commodity no Oriente Médio.

Rendimento dos Treasuries voltou a subir

Os investidores também avaliavam a reação do mercado à decisão do Tesouro americano de ampliar a recompra de títulos de longo prazo. A operação, de pelo menos US$ 4 bilhões, envolve papéis com vencimentos entre 10 e 30 anos e busca dar suporte a uma área que vinha sofrendo fortes vendas.

Na prática, a recompra aumenta a demanda por esses títulos e pode reduzir seus rendimentos. Porém, o mercado demonstrou ceticismo sobre a capacidade da medida de mudar a tendência dos juros longos, já que o governo precisará emitir mais dívida de prazo curto para financiar as recompras. Com isso, o rendimento do Treasury de dez anos subia para 4,708%, ante 4,653% no ajuste de quarta-feira (19), e o título de 30 anos avançava a 5,26%, contra 5,194%.

Juros mais altos nos Estados Unidos tornam os títulos americanos mais atrativos e elevam o custo de financiamento global. Esse movimento costuma reduzir o espaço para investimentos em mercados emergentes, pressionando bolsas, moedas e juros futuros.

Dólar abriu em alta e bolsa americana também recuava

O dólar à vista abriu com alta de 0,23%, a R$ 5,1884, enquanto o dólar futuro subia 0,25%, a R$ 5,205. A moeda americana se beneficia tanto da busca por proteção em momentos de tensão quanto da alta dos juros dos Treasuries, que aumenta a procura por ativos denominados em dólar.

No exterior, os contratos futuros de Wall Street operavam no campo negativo: o S&P 500 recuava 0,31%, o Dow Jones caía 0,50% e o Nasdaq tinha baixa de 0,52%. Na Ásia, porém, os mercados fecharam majoritariamente em alta, acompanhando os ganhos da sessão anterior em Nova York. O Nikkei subiu 1,36%, enquanto o Kospi avançou 5,89%.

Investidores acompanham agenda doméstica e fiscal

No Brasil, o mercado monitora o leilão de títulos prefixados do Tesouro, a rolagem de contratos de câmbio pelo Banco Central e a reunião do Conselho Monetário Nacional. Esses eventos ajudam a indicar a demanda por dívida pública, as condições de liquidez no mercado de câmbio e a percepção sobre a condução econômica.

Também repercutiram declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Ele defendeu a retomada das discussões sobre privilégios em aposentadorias, despesas de outros Poderes e aumento de receitas para que o país alcance superávit já em 2027. O governo estima ainda alta de 7,7% nas despesas obrigatórias com benefícios previdenciários no próximo ano.

Outro ponto doméstico é a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida provisória que suspendeu a cobrança precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro, antes do primeiro turno das eleições.

O que observar ao longo do pregão

Para quem investe, o principal sinal desta manhã é a combinação de petróleo em alta, dólar perto de R$ 5,20 e juros americanos pressionados. O petróleo pode favorecer empresas produtoras, mas aumenta riscos para inflação e custos de companhias consumidoras de combustíveis. Já o câmbio e os Treasuries podem influenciar a abertura e a direção dos juros brasileiros.

O mercado deve acompanhar se o Tesouro americano conseguirá estabilizar os títulos longos, a evolução das medidas contra o Irã e os próximos dados de atividade e inflação nos Estados Unidos. No Brasil, declarações sobre o Orçamento, os benefícios previdenciários e a trajetória das contas públicas continuarão relevantes para a formação dos preços dos ativos.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode pressionar os preços dos combustíveis e, se persistir, afetar também custos de transporte e outros produtos. O dólar mais perto de R$ 5,20 encarece mercadorias importadas e pode dificultar a queda da inflação. O cenário externo ainda influencia juros, crédito e atividade econômica no Brasil.