O Ibovespa passou a operar em queda nesta quinta-feira (13), pressionado principalmente por Vale e Petrobras, enquanto o dólar avançava diante de uma sessão marcada por indicadores econômicos, balanços corporativos e recuo do petróleo no exterior. Às 11h20, o principal índice da B3 caía 0,09%, aos 167.345 pontos, e o dólar comercial subia 0,06%, a R$ 5,183.

Vale e Petrobras pesam sobre o principal índice da B3

A Vale (VALE3) recuava 0,75%. Entre as ações da Petrobras, a preferencial (PETR4) caía 0,17%, enquanto a ordinária (PETR3) perdia 0,63%. Como as duas empresas têm grande peso na composição do Ibovespa, oscilações nesses papéis influenciam de forma relevante o resultado do índice.

A pressão sobre a Petrobras acompanha a queda das cotações internacionais do petróleo. O Brent, referência global, recuava 2,51%, a US$ 86,75 por barril, enquanto o WTI caía 2,81%, a US$ 80,93. Para empresas ligadas à commodity, a baixa reduz as expectativas de receita e de geração de caixa, embora também possa aliviar custos e pressões inflacionárias em outras partes da economia.

Exterior reduz o apetite por ativos de risco

O movimento no Brasil ocorre em uma sessão de menor disposição para ativos considerados mais arriscados, em linha com o comportamento dos contratos futuros das bolsas de Nova York. O estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, avaliou que a abertura do mercado brasileiro foi morna, mas destacou que os dados recentes de inflação nos Estados Unidos vêm surpreendendo positivamente.

O índice de preços ao produtor (PPI) americano ficou estável em julho, após queda revisada de 0,1% em junho. O resultado veio abaixo da expectativa de alta de 0,2%. Já os pedidos iniciais de seguro-desemprego subiram em 9 mil na semana encerrada em 8 de agosto, para 209 mil solicitações. Dados mais fracos de preços e emprego podem reduzir a pressão por juros maiores nos Estados Unidos, mas não necessariamente provocam alta imediata das bolsas.

Discurso do Fed mantém incerteza sobre os juros

O presidente do Federal Reserve de Richmond, Tom Barkin, afirmou que ainda não está claro se o banco central americano precisará elevar os juros para levar a inflação à meta de 2%. A dúvida é se a inflação continuará desacelerando por conta própria ou se serão necessários novos aumentos.

Juros americanos elevados tendem a tornar os títulos dos Estados Unidos mais atraentes e podem estimular a saída de recursos de mercados emergentes. No Brasil, esse efeito aparece no câmbio e na bolsa. Saravalle também chamou atenção para o fluxo de saída de capital estrangeiro da B3 em agosto, com retiradas expressivas, pressionando especialmente empresas ligadas ao consumo interno.

Indicadores brasileiros mostram sinais mistos

O volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,5% em junho ante maio, após alta de 0,3% no mês anterior, considerando a série ajustada. No varejo ampliado, que inclui veículos, materiais de construção e atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, houve queda de 1% no mesmo período.

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas foi estimada em 353 milhões de toneladas em julho, alta de 2% ante a safra de 2025, de 346,1 milhões de toneladas, e avanço de 1,6% sobre a projeção de junho. Na Europa, a produção industrial da zona do euro ficou estável em junho, enquanto a economia britânica cresceu 0,4% no segundo trimestre.

Altas e baixas entre as ações da sessão

Entre as maiores altas do Ibovespa, MRV (MRVE3) disparava 11,19%. Cogna (COGN3), Rede D’Or (RDOR3) e Rumo (RAIL3) subiam mais de 5%. Na ponta negativa, Hapvida (HAPV3) liderava as perdas, com queda de 15,55%, seguida por Sabesp (SBSP3), que recuava 4,75%, e Minerva (BEEF3), com baixa de 3,34%.

O Banco do Brasil (BBAS3) caía 0,58% após a divulgação do balanço do segundo trimestre. Ao longo do dia, investidores também acompanham os resultados de CPFL, Cemig, Marfrig, Compass, Cyrela, Grupo Mateus, Azul, JHSF, M. Dias Branco, 3R Petroleum, IRB Brasil, Sanepar, Yduqs, Trisul, Dotz, Tecnisa e Arandu. Nos Estados Unidos, Nubank e Lenovo estão entre os destaques corporativos.

Para quem investe, o restante do pregão dependerá da combinação entre petróleo, fluxo estrangeiro, indicadores americanos e avaliação dos balanços. A queda da commodity pode aliviar expectativas para os juros globais, mas, no curto prazo, continua pressionando Petrobras e o Ibovespa. O dólar, por sua vez, permanece sensível à busca por proteção e às dúvidas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.