O dólar à vista caiu na abertura dos negócios desta sexta-feira (21), pressionado pelo desempenho da moeda americana no exterior e pela atenção dos investidores ao cenário eleitoral brasileiro. Às 9h11, a cotação recuava 0,37%, para R$ 5,174 na venda, depois de ter fechado a quinta-feira em alta de 0,31%, a R$ 5,1937. A expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa Datafolha passou a influenciar as decisões no mercado de câmbio.

Como o dólar se comportava nos primeiros minutos

Além do dólar à vista, o contrato futuro de dólar para setembro, o mais negociado na B3, registrava queda de 0,43% no mesmo horário, a R$ 5,183. No mercado comercial, a cotação era de R$ 5,173 na compra e R$ 5,174 na venda.

A baixa indica que, no início do pregão, os investidores estavam demandando menos proteção em moeda americana e acompanhando a valorização relativa do real. O movimento, porém, ainda era parcial e poderia mudar ao longo da sessão conforme surgissem novas informações sobre as eleições e sobre os mercados internacionais.

Por que as eleições entraram no radar do câmbio

O mercado de câmbio costuma reagir a pesquisas eleitorais porque as perspectivas para o próximo governo podem alterar as expectativas sobre a política econômica, o controle das contas públicas e o ambiente para investimentos no país. Quando os investidores percebem maior incerteza, podem buscar ativos em dólar; quando avaliam que o cenário ficou menos arriscado, a pressão sobre o real tende a diminuir.

Nesta sexta-feira, a possível publicação de uma nova pesquisa Datafolha concentrava a atenção dos agentes. O material disponível não aponta qual seria o resultado esperado nem permite concluir como os participantes do mercado avaliavam cada candidatura. Por isso, a queda observada na abertura deve ser entendida como uma reação inicial, e não como uma definição da trajetória do câmbio.

O que acontecia com o dólar no exterior

O movimento local também acompanhava o comportamento da moeda americana no exterior. A direção do dólar global influencia o real porque investidores que atuam em vários países comparam o risco e o retorno de diferentes mercados. Se a moeda dos Estados Unidos perde força internacionalmente, o real pode encontrar algum suporte mesmo sem uma mudança específica nos fundamentos brasileiros.

Um dos fatores em discussão era a atuação do Tesouro dos Estados Unidos no mercado de títulos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou na quinta-feira que o governo pode ampliar ainda mais as recompras de títulos públicos americanos. Um dia antes, o departamento havia surpreendido o mercado ao anunciar a intenção de dobrar o volume de recompras de papéis de prazo longo para conter a alta dos rendimentos.

Como as recompras de títulos podem afetar o câmbio

As recompras consistem na aquisição de títulos pelo governo, o que pode ajudar a elevar seus preços e reduzir os rendimentos exigidos pelos investidores. A medida busca aliviar a pressão sobre os juros de longo prazo nos Estados Unidos, que afetam o custo de financiamento para empresas, consumidores e para o próprio governo.

Parte dos especialistas, contudo, avalia que esse tipo de intervenção pode apenas deslocar a pressão para outros segmentos do mercado americano. Nesse cenário, o dólar poderia ser o principal ponto de ajuste, caso os investidores interpretem a medida como menos favorável à atratividade dos ativos dos Estados Unidos.

O que acompanhar depois da abertura

Para quem investe, os próximos movimentos dependerão da combinação entre o noticiário eleitoral brasileiro, a direção do dólar no exterior e a reação dos mercados aos planos do Tesouro americano. A cotação à vista e os contratos futuros podem responder de forma diferente ao longo do dia, especialmente com a divulgação de novas informações.

Para consumidores e empresas, uma oscilação de curto prazo como a registrada na abertura não altera imediatamente preços ou custos. O câmbio ganha efeito mais amplo quando permanece pressionado por mais tempo e encarece produtos importados, insumos e viagens ao exterior. No pregão desta sexta-feira, o dado novo era a queda inicial do dólar enquanto os investidores aguardavam a pesquisa eleitoral.