O CPI, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, subiu 0,1% em julho, em linha com o esperado, e ajudou as bolsas americanas a avançarem nesta quarta-feira (12). No Brasil, porém, o petróleo pressionou o Ibovespa, que recuava para perto de 167,8 mil pontos, enquanto o dólar comercial subia a R$ 5,17 e os juros futuros caíam. O movimento mostra que o alívio com a inflação americana foi insuficiente para compensar fatores locais e ligados às commodities.
Inflação americana reduz temor de um Fed mais agressivo
Em 12 meses, o CPI acumulou alta de 3,4%, também exatamente em linha com a projeção do mercado. Apesar de ainda estar acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve, o resultado não trouxe uma surpresa negativa capaz de reforçar a expectativa de juros americanos mais altos por mais tempo.
O núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% em julho e acumulou alta de 2,5% em um ano, ante 2,6% no período anterior. Habitação subiu 0,1% e respondeu por cerca de dois terços da alta mensal, enquanto alimentação aumentou 0,1%. A energia, por outro lado, caiu 1,5% no mês.
Com os dados dentro do esperado, os principais índices acionários dos Estados Unidos operavam em alta. Ainda assim, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava probabilidade de 53,2% para uma elevação dos juros na reunião de outubro, sinal de que a incerteza sobre os próximos passos do banco central americano permanece.
Petróleo e fatores técnicos ampliam a pressão sobre o Ibovespa
O petróleo pesou sobre os ativos brasileiros e limitou a reação positiva ao cenário externo. A commodity é relevante para empresas com grande participação no índice e também influencia expectativas de inflação, custos de transporte e o desempenho de companhias ligadas à cadeia de energia.
O pregão também ocorre com vencimento de contratos futuros e opções sobre o índice. Esses eventos concentram ajustes de posições e podem aumentar as oscilações intradiárias, sem necessariamente representar uma mudança estrutural nas perspectivas para a Bolsa.
Por volta das 11h24, o Ibovespa recuava para 167,8 mil pontos. Mais cedo, às 10h10, o índice chegou a subir 0,07%, aos 167.984 pontos, mas inverteu o sinal. O dólar à vista, que caía 0,05% no início da manhã, avançava para R$ 5,17 na atualização mais recente, enquanto os juros futuros recuavam.
Serviços ficam estáveis e indicam economia menos aquecida
O volume de serviços no Brasil ficou estável em junho ante maio, contrariando a expectativa de queda de 0,2%. Na comparação anual, houve crescimento de 2,0%, acima da projeção de 1,4% dos economistas.
Mesmo com o resultado melhor que o esperado, o setor terminou junho 0,3% abaixo do recorde da série histórica, registrado em outubro de 2025. O dado combina uma surpresa positiva no mês com sinais de perda de ritmo da economia, especialmente depois da queda de 0,2% observada em maio.
O que a Opep sinaliza para produção e crescimento global
A Opep elevou a previsão de crescimento da produção brasileira de combustíveis líquidos em 2026 para 410 mil barris por dia, ante 340 mil barris por dia na estimativa anterior. Com isso, a produção média projetada passou de 4,7 milhões para 4,8 milhões de barris por dia.
Para 2027, a expansão esperada permaneceu em 110 mil barris por dia, mas a média projetada subiu de 4,8 milhões para 4,9 milhões de barris por dia. Em junho, a produção total brasileira de líquidos aumentou cerca de 183 mil barris por dia ante maio, para 5,3 milhões de barris por dia.
Ao mesmo tempo, a organização reduziu de 3,1% para 3,0% a previsão de crescimento do PIB global em 2026. A combinação de maior oferta brasileira e uma economia mundial um pouco menos dinâmica ajuda a explicar a sensibilidade do petróleo e das ações ligadas à commodity.
Como acompanhar o restante do pregão
Para quem investe, os próximos movimentos dependerão da combinação entre petróleo, fluxo externo e percepção sobre o risco brasileiro. A divulgação do resultado do Banco do Brasil após o fechamento também está no radar, em meio à pressão sobre a carteira de crédito rural e à queda acumulada de 8% da ação em agosto.
Para consumidores e trabalhadores, o efeito mais direto está nos combustíveis e na inflação: petróleo mais pressionado pode alterar custos ao longo da cadeia, enquanto a trajetória dos juros americanos influencia o câmbio e os preços de importados. No mercado doméstico, os dados de serviços e os próximos sinais do Banco Central serão importantes para medir o ritmo da economia e dos juros.
Impacto para a sociedade
O resultado da inflação nos Estados Unidos pode influenciar as decisões do Federal Reserve e, por consequência, o dólar, os juros e os preços de produtos importados no Brasil. Já o petróleo afeta diretamente os custos de combustíveis e transporte, com possível impacto sobre a inflação e o orçamento das famílias.
