Os ETFs de renda fixa ligados ao Tesouro IPCA+ podem seguir estratégias diferentes, mesmo tendo como referência títulos públicos corrigidos pela inflação. A principal novidade está nos fundos com vencimento definido, como TD3511, TD5011 e TD6011, que acompanham carteiras associadas, respectivamente, a títulos com vencimento em 2035, 2050 e 2060. Neles, a sensibilidade aos juros diminui naturalmente com o passar do tempo, em vez de ser mantida constante por rebalanceamentos.

Dois modelos de ETF ligados ao Tesouro IPCA+

Para entender a diferença, é preciso observar como cada estratégia administra o prazo dos títulos. ETFs como B5P211, IMAB11 e IB5M11 acompanham índices da família IMA-B, formados por diferentes NTN-Bs, os títulos públicos corrigidos pelo IPCA. Como esses papéis têm datas de vencimento variadas, os índices são ajustados periodicamente.

Esse mecanismo busca preservar determinadas características de prazo e de exposição à curva de juros. No B5P211, por exemplo, o índice de referência é o IMA-B5 P2, composto por títulos indexados à inflação com prazo inferior a cinco anos e prazo médio de repactuação mínimo de dois anos.

Na prática, esses fundos seguem uma estratégia de duration constante. Duration é uma medida que estima quanto o preço de um título tende a variar quando as taxas de juros mudam. Como os títulos da carteira são substituídos ou rebalanceados, a exposição permanece relativamente estável ao longo do tempo.

O que muda nos ETFs com data de vencimento

Nos ETFs TD3511, TD5011 e TD6011, cada carteira está vinculada a uma data específica. O investidor escolhe, portanto, não apenas uma exposição a títulos corrigidos pela inflação, mas também uma referência de prazo: 2035, 2050 ou 2060.

Como o vencimento é fixo, o tempo restante até a data final diminui a cada ano. Essa redução faz a duration cair gradualmente. Um título que vence daqui a 20 anos tende a reagir mais intensamente a uma mudança nos juros do que outro com vencimento em três anos.

Esse efeito altera o comportamento do investimento. Quando as taxas de mercado sobem ou descem, o preço dos títulos pode sofrer a chamada marcação a mercado, que é a atualização do valor do papel de acordo com os juros praticados no momento. Nos ETFs com vencimento definido, essa sensibilidade tende a diminuir conforme a data de referência se aproxima.

Como a carteira muda perto do vencimento

O ETF não permanece indefinidamente seguindo uma carteira cada vez mais curta até o último dia do título. A estratégia prevê uma transição quando o prazo médio de repactuação fica abaixo de 780 dias.

Enquanto esse prazo permanece igual ou superior a 780 dias, o fundo segue a estratégia associada ao título de vencimento definido. Quando o limite é ultrapassado, a carteira passa a acompanhar o IMA-B5 P2.

A mudança impede que o ETF fique exposto a uma carteira com prazo excessivamente curto e mantém a estratégia dentro dos parâmetros necessários para sua estrutura tributária.

O que isso representa para quem investe

Os dois modelos podem responder de maneira distinta às mudanças nos juros. Nos ETFs de duration constante, a exposição à curva de juros é continuamente ajustada para preservar as características do índice. Já nos fundos com vencimento definido, o prazo e a sensibilidade diminuem de forma gradual.

Essa dinâmica permite combinar uma exposição inicialmente maior às oscilações dos juros com uma redução progressiva da volatilidade relacionada a essas taxas. Isso não elimina a possibilidade de variação no valor das cotas, mas muda a forma como o risco de mercado tende a evoluir ao longo do tempo.

Para o investidor, a diferença central está em escolher entre uma estratégia que busca manter determinada exposição ao longo dos anos e outra que caminha naturalmente para uma data de referência. O acompanhamento das regras do índice, do prazo restante e do comportamento dos juros será importante para avaliar como cada ETF se encaixa em seus objetivos.