Um estudo da XP aponta que tentar escolher a hora de entrar e sair dos fundos imobiliários (FIIs) pode prejudicar o retorno no longo prazo: ficar de fora dos 30 melhores pregões do IFIX em uma década teria reduzido o ganho acumulado do índice de 133,9% para 41,7%. O levantamento destaca que poucos dias de alta podem ter peso desproporcional no resultado de quem investe na classe.

Ausência em poucos pregões teria efeito expressivo

De acordo com a XP, perder apenas os três melhores pregões do IFIX nos últimos dez anos teria diminuído o retorno total acumulado em cerca de 20%. No cenário em que o investidor não estivesse posicionado nos 30 melhores dias, a redução seria de 68,8%. Esses pregões corresponderam a cerca de 1,2% das sessões do período.

A simulação ilustra o custo potencial de ficar fora do mercado nos dias de maior valorização. Ela não significa que seja possível saber antecipadamente quais serão esses pregões, nem que todo investidor teria obtido exatamente o retorno do índice. O resultado depende do período analisado e da trajetória específica dos ativos.

Recuperações podem ocorrer em momentos de tensão

Segundo a corretora, muitas das maiores altas diárias vieram depois de períodos de queda ou estabilização do índice, em contextos de volatilidade acima da média. São momentos em que a incerteza pode aumentar a aversão ao risco e levar investidores a reduzir sua exposição.

A dificuldade de acertar os movimentos também está ligada à rapidez com que o mercado reage a novas informações e mudanças de expectativa. Quando uma recuperação começa, quem espera por sinais mais claros para voltar pode acabar perdendo parte dos pregões que mais contribuiriam para o retorno acumulado.

Menor liquidez pode dificultar a volta aos FIIs

A XP ressalta que parte dos fundos imobiliários tem liquidez menor. Isso pode tornar mais difícil montar posições relevantes sem afetar os preços, especialmente em períodos de recuperação intensa. Assim, deixar o mercado e tentar retornar no momento ideal pode ser ainda mais complicado para alguns ativos da classe.

A corretora também observou diferenças entre os segmentos. Nos fundos de tijolo, ligados a imóveis físicos, perder as três maiores altas teria reduzido o retorno acumulado em 24,8%; excluir as 30 melhores sessões elevaria a redução para cerca de 78%. Nos fundos de recebíveis, conhecidos como fundos de papel, os recuos seriam de 17,3% e 68%, respectivamente.

Fundos de tijolo tiveram impacto maior na simulação

Na avaliação da XP, a diferença é compatível com a maior volatilidade dos fundos de tijolo. Como os preços desses ativos podem oscilar mais diante de mudanças nas condições de mercado, também podem ocorrer movimentos mais acentuados de alta e queda. No estudo, quanto maior a volatilidade da categoria, maior foi o custo estimado de não estar investido nos melhores dias.

Os números não eliminam a necessidade de acompanhar fundamentos, avaliação dos ativos, liquidez ou cenário econômico. A XP pondera que mudanças nesses fatores podem justificar ajustes na exposição. O ponto do levantamento é que uma decisão de sair motivada apenas por condições conjunturais pode deixar o investidor fora de uma recuperação relevante.

O que o estudo sugere para quem investe

A análise põe em evidência a diferença entre tentar prever cada movimento do mercado e definir uma exposição compatível com objetivos, necessidade de liquidez e tolerância ao risco. A XP descreve como alternativa uma alocação estrutural, com ajustes táticos ao redor dela, sem tratar isso como uma exposição que deva permanecer invariável em qualquer cenário.

Na prática, o estudo não prevê o desempenho futuro dos FIIs nem indica uma decisão individual. Ele mostra que os melhores pregões são difíceis de antecipar e que a ausência em poucos deles pode alterar bastante o retorno observado ao longo de uma década. Para avaliar mudanças na carteira, a questão destacada pela corretora é verificar se os fundamentos que justificam a presença dos fundos imobiliários mudaram de forma estrutural.