Debêntures incentivadas selecionadas pelo Banco do Brasil oferecem rentabilidade indicativa de até IPCA + 8,1% ao ano em setembro, sem cobrança de Imposto de Renda para pessoas físicas. A carteira reúne cinco títulos de empresas com classificações de crédito elevadas, mas também envolve vencimentos longos, entre 2036 e 2040, e risco maior do que o dos títulos públicos.

Quais são os cinco títulos escolhidos pelo BB

A maior taxa da seleção aparece na debênture da Vibra, código VBBRA0, com retorno próximo de IPCA + 8,1% ao ano e vencimento em 15 de março de 2036. Em seguida está o papel da Equatorial Goiás, CGOSB0, com rentabilidade estimada em IPCA + 8,0% e vencimento em 15 de agosto de 2037.

  • VBBRA0, Vibra: IPCA + 8,1% ao ano, vencimento em 2036;
  • CGOSB0, Equatorial Goiás: IPCA + 8,0% ao ano, vencimento em 2037;
  • CEPEB7, Celpe/Neoenergia: IPCA + 7,7% ao ano, vencimento em 2040;
  • MRSAC2, MRS Logística: IPCA + 7,5% ao ano, vencimento em 2039;
  • EGIEA6, Engie: IPCA + 7,4% ao ano, vencimento em 2038.

As taxas são aproximadas, calculadas a partir do gráfico do BB, e podem mudar no mercado secundário, ambiente em que investidores negociam títulos já emitidos.

Como a isenção muda a comparação com o Tesouro IPCA+

Os papéis remuneram com uma parcela fixa acima da inflação medida pelo IPCA. Assim, uma taxa de IPCA + 8,1% significa que o investidor teria, em termos nominais, a variação do índice mais 8,1% ao ano, caso mantenha o título nas condições consideradas.

A vantagem indicada pelo BB aumenta quando se considera o imposto. Nos prazos semelhantes, a rentabilidade líquida estimada de títulos do Tesouro IPCA+, depois do IR, fica entre IPCA + 6,4% e IPCA + 6,8% ao ano. As debêntures selecionadas, por serem incentivadas, oferecem taxas entre IPCA + 7,4% e IPCA + 8,1% sem IR para pessoas físicas.

O que explica o prêmio oferecido pelos títulos

A diferença é o chamado prêmio de crédito: uma remuneração adicional para compensar o investidor pelo risco de emprestar dinheiro a uma empresa, em vez de financiar o governo. A isenção tributária também faz parte da atratividade desses papéis, criados para financiar projetos considerados relevantes para a infraestrutura.

Em contrapartida, debêntures não têm a mesma natureza de um título público. O investidor fica exposto à capacidade de pagamento da companhia e às oscilações de preço caso precise vender antes do vencimento. O prazo longo dos cinco papéis amplia essa sensibilidade às mudanças nas taxas de juros e nas condições do mercado.

Por que as taxas subiram ao longo de 2026

O mercado de crédito privado começou o ano com prêmios comprimidos, em um cenário de forte procura e oferta limitada de títulos. Entre março e abril, porém, a volatilidade aumentou e eventos de crédito provocaram resgates em fundos, pressionando os preços dos papéis.

Quando os preços caem, as taxas oferecidas por novos compradores tendem a subir. Para o BB, esse movimento refletiu principalmente fatores técnicos e de fluxo, e não uma deterioração generalizada das empresas. Desde maio, o banco identifica sinais de estabilização, mas mantém preferência por emissores de maior qualidade, estruturas de dívida robustas e negócios resilientes.

O que observar antes de avaliar esses papéis

As rentabilidades divulgadas são indicativas e não representam garantia de retorno. Além do risco de crédito, é necessário considerar o prazo até o vencimento, a liquidez e a possibilidade de o preço oscilar no caminho. A isenção de IR não elimina esses riscos nem transforma a aplicação em equivalente a um título público.

Para o investidor, o dado novo é a existência de taxas superiores às equivalentes líquidas do Tesouro IPCA+ dentro de uma seleção concentrada em empresas de alta qualidade de crédito. A decisão exige comparar remuneração, prazo, liquidez e risco de cada emissor, enquanto as condições no mercado secundário podem alterar as taxas disponíveis ao longo de setembro.