A Empiricus recomendou avaliar fundos de infraestrutura (FI-Infras) depois da queda recente das cotas, que deixou seis fundos acompanhados pela casa negociados abaixo do valor patrimonial. O estudo citado pela análise aponta que períodos de deságio — quando o preço de mercado fica inferior ao valor dos ativos do fundo — foram seguidos por retornos acima dos índices de referência em determinados intervalos.
Seis fundos passaram a negociar com desconto
Os fundos indicados pela Empiricus são BTG Dívida Infra (BDIF11), Capitânia Infra (CPTI11), Itaú Infra (IFRA11), Kinea Infra (KDIF11), Sparta Infra (JURO11) e Sparta Infra CDI (CDII11). Todos apresentavam cotas abaixo do valor patrimonial, com descontos que variavam de 5% a mais de 13% no momento da análise.
O valor patrimonial representa, de forma simplificada, quanto valeria cada cota com base nos ativos e passivos contabilizados pelo fundo. Quando a negociação ocorre abaixo desse nível, o investidor compra a cota por um preço inferior ao valor atribuído ao conjunto de investimentos — mas isso não elimina os riscos nem garante que o desconto será fechado.
Como funcionam os FI-Infras
Os FI-Infras são fundos listados em bolsa que investem principalmente em debêntures incentivadas, títulos de dívida usados para financiar projetos de infraestrutura. Esses papéis contam com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas, e os fundos distribuem parte dos resultados aos cotistas na forma de rendimentos periódicos.
Nos fundos listados, a isenção alcança os dividendos distribuídos e também o ganho de capital obtido com a negociação das cotas, conforme as regras aplicáveis. A combinação entre pagamentos recorrentes e benefício tributário atrai investidores interessados em renda, mas também pode aumentar a reação do mercado quando a distribuição diminui.
Por que os dividendos pressionam as cotações
O levantamento da Empiricus, que considera o comportamento dos FI-Infras desde 2021, identificou que fundos que anunciaram redução de dividendos tiveram aumento do desconto da cota já no primeiro pregão após o comunicado. A pressão continuou nas semanas seguintes, e cortes maiores foram associados a reações mais negativas.
Isso ocorre porque muitos investidores avaliam esses fundos principalmente pelo valor recebido todos os meses. Quando a renda distribuída cai, parte dos cotistas vende as posições, pressionando o preço na bolsa. A análise, porém, ressalta que o retorno total não depende apenas dos dividendos: a eventual valorização da cota também influencia o resultado.
O que o estudo encontrou sobre os deságios
De acordo com a análise, os retornos começaram a melhorar de maneira mais consistente quando o desconto em relação ao valor patrimonial superou 2%. Nos casos em que o deságio ficou entre 2% e 5%, o retorno acumulado nos 12 meses seguintes superou os índices de referência do mercado em aproximadamente 5 a 7 pontos percentuais.
O estudo também apontou vantagem histórica ainda maior quando o desconto ultrapassou 8%. Esse resultado ajuda a explicar por que a Empiricus considera o cenário atual digno de avaliação, embora o histórico não seja uma garantia de desempenho futuro e o preço de mercado possa permanecer abaixo do valor patrimonial por algum tempo.
O que observar antes de tomar uma decisão
Para quem acompanha FI-Infras, a análise sugere olhar além do dividendo pago no mês anterior. É necessário observar a qualidade e a diversificação das debêntures, a capacidade de geração de renda do fundo, possíveis mudanças nas distribuições e a diferença entre o preço da cota e o valor patrimonial.
O próximo passo do investidor é acompanhar os relatórios dos fundos e os comunicados sobre rendimentos, sem tratar o deságio como sinônimo automático de oportunidade. A cotação pode se recuperar, permanecer descontada ou cair ainda mais, dependendo dos ativos da carteira, das expectativas para os juros e da disposição do mercado a assumir risco.
