O Ibovespa chegou a subir 1,15% nesta quinta-feira (20), aos 169.752,35 pontos, apoiado principalmente pela alta da Petrobras, enquanto as bolsas de Nova York recuavam e o petróleo e os juros dos Estados Unidos permaneciam no radar. O avanço perdeu força ao longo do pregão: por volta das 13h35, o índice subia 0,15%, aos 168.080,69 pontos, depois de ter atingido mínima de 166.965,79.
Petrobras concentra o impulso da bolsa brasileira
As ações da Petrobras lideravam os ganhos entre os papéis de maior peso no índice. As preferenciais (PETR4) avançavam 2,51%, enquanto as ordinárias (PETR3) subiam 2,91% por volta das 13h35. Mais cedo, os papéis chegaram a registrar alta superior a 3%.
O movimento acompanhou a valorização do petróleo no exterior. O barril do Brent para outubro era negociado perto de US$ 94 na Bolsa Intercontinental de Londres, em meio às novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã. A repercussão de uma descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório na Bacia da Foz do Rio Amazonas também ajudava a sustentar o interesse pelas ações da estatal.
Quando o petróleo sobe, aumenta a expectativa de receitas e geração de caixa para empresas produtoras. Por isso, Petrobras pode puxar o Ibovespa mesmo quando outros setores da bolsa estão sob pressão.
Alta não reflete melhora ampla do cenário
Para o economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia, o ambiente do dia não apresentava um gatilho doméstico específico nem condições externas favoráveis para uma alta generalizada. A leitura é de que a valorização se concentrou nas ações “peso-pesado” do índice, especialmente Petrobras.
Saadia também apontou a desmontagem de posições vendidas — operações que apostam na queda dos preços — após duas semanas de perdas. Esse movimento pode gerar compras rápidas quando investidores encerram essas apostas. A bolsa brasileira, além disso, vinha de níveis depreciados depois de uma sequência prolongada de baixas.
Na véspera, o Ibovespa havia subido 0,9%, aos 167.830,27 pontos, interrompendo uma série de 11 sessões de fechamento negativo. Ainda assim, a recuperação não é interpretada como mudança estrutural do fluxo estrangeiro: até 18 de agosto, investidores internacionais haviam retirado R$ 20,425 bilhões da bolsa brasileira no mês.
Juros dos Treasuries mantêm Wall Street sob pressão
Os Treasuries, títulos do governo americano, voltaram a apresentar alta nos rendimentos, especialmente nos vencimentos longos. Quando esses juros sobem, ativos de risco em todo o mundo tendem a perder atratividade, porque investimentos considerados mais seguros passam a oferecer retorno maior e o custo de financiamento aumenta.
O S&P 500 recuava 0,33%, com dados do Walmart também no foco dos investidores. O movimento dos títulos americanos continuava relacionado às preocupações com inflação e dívida pública, que ultrapassou US$ 40 trilhões. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo pode ampliar novamente as recompras de títulos, para além dos cerca de US$ 4 bilhões por emissão anunciados anteriormente.
Vale e ações domésticas dividem o pregão
A Vale operava perto da estabilidade, com leve queda, acompanhando o recuo de 1,19% dos contratos futuros de minério de ferro em Dalian, na China. O desempenho também pressionava empresas de mineração e siderurgia, como Gerdau, CSN, CSN Mineração e Usiminas.
Entre os bancos, o desempenho era misto, com quedas de Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil, enquanto Santander Brasil subia moderadamente. As preocupações com crédito e inadimplência continuavam influenciando o setor.
Marcopolo avançava após aprovar dividendos e um programa de recompra de ações. Minerva e Marfrig também subiam. Na ponta negativa, Magazine Luiza recuava com força, pressionada pelos juros elevados, pelo crédito restrito e pelo endividamento dos consumidores, enquanto Hapvida seguia afetada pela reação negativa aos resultados do segundo trimestre.
O que observar até o fim do pregão
Na análise técnica, o Ibovespa ainda permanecia em tendência de baixa pelas médias de 21 e 200 dias. Um fechamento acima de 170.340 pontos seria visto como sinal de repique, com resistências em 173.500 e 180.500 pontos. A perda de 166.300, por outro lado, poderia abrir espaço para 160 mil ou 155 mil pontos.
O dólar à vista subia 0,19%, a R$ 5,1863, enquanto o índice DXY tinha alta marginal de 0,01%. Para o investidor, o pregão mostrava uma recuperação concentrada em commodities e no encerramento de posições vendidas, ainda dependente do petróleo, dos juros americanos e do comportamento de Wall Street.
