O BTG Pactual Dívida Infra CDI (BCDI11) passou a ser negociado no pregão da B3 neste mês, ampliando o acesso a um fundo de infraestrutura que oferece isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. O fundo já era negociado no mercado de balcão desde 2024 e agora busca ganhar liquidez e facilitar a entrada e a saída de investidores.
Como funciona o FI-Infra e de onde vem a isenção
Os fundos incentivados de investimento em infraestrutura (FI-Infra) aplicam a maior parte dos recursos em títulos de renda fixa ligados a projetos de infraestrutura. Entre os principais ativos estão as debêntures incentivadas, emitidas por empresas para financiar obras e serviços de interesse público.
A legislação concede isenção de IR às debêntures incentivadas e estende o benefício aos rendimentos distribuídos pelos FI-Infra para pessoas físicas. Assim como ocorre com fundos imobiliários, essas carteiras podem repassar os ganhos aos cotistas com alguma periodicidade. As cotas negociadas em bolsa costumam ter códigos terminados em 11.
O que muda com a listagem do BCDI11 na bolsa
Antes da listagem, o BCDI11 era negociado no mercado de balcão, ambiente com acesso mais restrito e, em geral, menor visibilidade para o investidor de varejo. A chegada ao pregão da B3 permite que as cotas sejam negociadas no mesmo ambiente usado para ações, fundos imobiliários e outros fundos listados.
O fundo tem patrimônio de aproximadamente R$ 190 milhões. A negociação em bolsa pode melhorar a liquidez, ou seja, facilitar a compra ou a venda das cotas. Isso não significa, porém, que o investidor terá sempre compradores ou vendedores pelo preço desejado: o valor da cota pode oscilar conforme as condições do mercado e a procura pelo ativo.
Como funciona a proteção atrelada ao CDI
O BCDI11 utiliza uma estratégia de hedge, ou proteção, para buscar um retorno relacionado ao CDI. Embora a carteira possa ter debêntures e outros títulos corrigidos pela inflação medida pelo IPCA, essa estrutura procura reduzir a exposição direta às oscilações da inflação e dos juros reais.
Na prática, a estratégia tenta tornar o desempenho do fundo mais próximo do CDI e dar maior estabilidade à distribuição dos rendimentos. Isso diferencia o produto de uma carteira que ficaria totalmente sujeita às variações dos títulos indexados à inflação, cujos preços podem mudar quando as expectativas para os juros se alteram.
Desempenho acumulado e riscos para o cotista
Entre julho de 2024, quando iniciou as operações, e julho de 2026, o BCDI11 acumulou retorno de 29,8%, acima dos 25,3% acumulados pelo CDI no mesmo intervalo. O resultado equivale a aproximadamente CDI mais 1,9 ponto percentual ao ano, sem considerar cobrança de IR para a pessoa física.
O desempenho passado não elimina os riscos. O principal deles é o risco de crédito: caso uma empresa emissora dos títulos deixe de pagar o que foi combinado, o patrimônio do fundo pode ser afetado. Além disso, como as cotas são negociadas em bolsa, seus preços podem apresentar volatilidade, mesmo quando os ativos da carteira continuam pagando juros.
O que observar antes de negociar as cotas
As operações com FI-Infra estão sujeitas ao IOF quando a venda ocorre menos de 30 dias após a compra. A cobrança segue uma tabela regressiva: chega a 96% do ganho em uma operação encerrada no primeiro dia, cai gradualmente e chega a 3% no 29º dia. A partir do 30º dia, não há incidência do imposto.
Para o investidor, a listagem amplia o acesso a uma carteira de crédito privado com benefício tributário, mas não transforma o produto em aplicação de baixo risco ou em alternativa equivalente ao CDI. Antes de negociar, é necessário considerar a liquidez efetiva, a composição dos títulos, a possibilidade de oscilação das cotas e a capacidade de aceitar perdas decorrentes de problemas de crédito.
