O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou neste sábado (22) que acertou com o presidente da França, Emmanuel Macron, a aceleração da entrega de mísseis e equipamentos franceses ao país. O novo compromisso concentra-se sobretudo no reforço da defesa aérea, em meio à continuidade dos ataques russos e às discussões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos.

Conversa entre Zelenski e Macron durou quase duas horas

Zelenski disse, em publicação na rede social X, que conversou com Macron por quase duas horas sobre as principais necessidades da Ucrânia. Segundo o presidente ucraniano, os dois concordaram com medidas para acelerar o envio dos armamentos franceses mais recentes e ampliar a capacidade de proteger o espaço aéreo do país.

Em termos militares, a defesa aérea reúne sistemas capazes de detectar e tentar impedir ataques com mísseis, drones e aeronaves. O reforço desse tipo de equipamento busca reduzir os danos a cidades e instalações ucranianas, além de proteger a população e estruturas consideradas essenciais para o funcionamento do país.

França promete reforço com interceptores

Macron confirmou que anunciou a Zelenski o reforço do apoio francês, com o envio de interceptores e a continuidade da cooperação entre os dois países. Interceptores são mísseis destinados a atingir e destruir ou desviar projéteis lançados contra um alvo antes que eles cheguem ao destino.

A declaração ocorreu após um ataque russo durante o dia contra um centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelenski, que provocou um grande número de vítimas civis. Macron afirmou que a ofensiva mostra uma suposta fraqueza russa, apesar de a estratégia de Moscou tentar projetar força por meio da intimidação e da escalada militar.

Apoio também envolve diplomacia e financiamento

Além da entrega de armas, Zelenski afirmou que tratou com Macron do andamento das conversas diplomáticas com outros parceiros e da comunicação com a equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dois líderes também discutiram medidas que, na avaliação do presidente ucraniano, poderiam abrir novas oportunidades para negociações.

Outro tema foi o financiamento da defesa ucraniana neste ano e no próximo. A necessidade de recursos envolve tanto a compra e a manutenção de equipamentos militares quanto a capacidade de sustentar as operações do Estado durante a guerra, em um momento em que o conflito continua pressionando o orçamento do país.

Coalizão de apoio terá nova reunião na segunda-feira

Macron informou ainda que a chamada Coalizão dos Voluntários, também conhecida como coalizão dos dispostos, se reunirá na segunda-feira. O grupo reúne cerca de 35 países e é liderado por França, Reino Unido e Alemanha, com o objetivo de coordenar apoio à Ucrânia.

A reunião deve servir para organizar as próximas iniciativas de assistência e alinhar a atuação dos países que apoiam Kiev. A aceleração anunciada por França e Ucrânia ocorre, portanto, dentro de um esforço mais amplo de coordenação militar, financeira e diplomática, e não como uma decisão isolada entre os dois governos.

O que o anúncio significa para os próximos passos

O acordo não detalhou a quantidade de mísseis, os modelos envolvidos nem as datas exatas para as entregas. Por isso, o efeito concreto sobre a capacidade de defesa da Ucrânia dependerá do ritmo de produção, do transporte e da integração dos equipamentos aos sistemas já utilizados pelo país.

Para governos e investidores, a aceleração do apoio sinaliza que a guerra continua sendo um fator relevante para as decisões de política externa, os gastos públicos e a percepção de risco na Europa. O próximo ponto de atenção será a reunião da coalizão e a evolução dos contatos diplomáticos com os parceiros dos Estados Unidos, além da confirmação prática dos novos envios franceses.