A XP manteve o preço-alvo de 200 mil pontos para o Ibovespa em 2026, mesmo após a aceleração da saída de investidores estrangeiros e uma temporada de balanços abaixo das expectativas no Brasil. A avaliação indica que, para a corretora, fatores como o valuation — uma medida de quão caras ou baratas estão as ações —, os sinais técnicos e o possível impacto do ciclo eleitoral ainda podem sustentar a bolsa.
Por que a XP continua otimista com a bolsa
A visão positiva considera que o chamado trade eleitoral pode ganhar força ao longo do caminho. O termo descreve movimentos de compra e venda baseados nas expectativas sobre a eleição, seus candidatos e as possíveis políticas econômicas do próximo governo. A mudança dessas percepções pode alterar rapidamente os preços dos ativos.
A XP também aponta que seu indicador de sentimento permanece próximo da faixa de “extremo pessimismo”. Na prática, isso significa que muitos investidores já adotaram uma postura defensiva, o que pode limitar novas quedas caso surjam sinais favoráveis. Ainda assim, a corretora reconhece que o Brasil perdeu momentum, ou seja, força relativa e capacidade de manter uma tendência positiva, enquanto o mercado de inteligência artificial ganhou tração no exterior.
Saída de estrangeiros e balanços fracos pressionaram agosto
As ações brasileiras tiveram desempenho negativo em agosto, segundo a análise. A saída de capital estrangeiro atingiu o maior nível desde março de 2020, aumentando a pressão sobre os preços e reduzindo a demanda por ativos locais.
O cenário foi agravado pela temporada de resultados. Apenas 41% das companhias brasileiras acompanhadas pela XP superaram as projeções de lucro por ação, contra 88% das empresas do índice S&P 500 nos Estados Unidos. No Brasil, foi a temporada mais fraca dos últimos três anos, sinal de que a desaceleração econômica e as condições financeiras mais difíceis continuam afetando os resultados corporativos.
Commodities e defensivas se saíram melhor
Os estrategistas identificaram uma divergência maior dentro da bolsa brasileira. As ações não tiveram um comportamento uniforme: setores cíclicos domésticos, mais dependentes do consumo, do crédito e da atividade econômica, ficaram atrás de empresas ligadas a commodities e de segmentos defensivos.
Empresas defensivas tendem a sofrer menos quando a economia perde ritmo, porque oferecem produtos ou serviços de demanda mais estável. Já as companhias cíclicas podem ser mais afetadas por juros elevados, crédito restrito e menor disposição das famílias para consumir. Essa diferença explica parte da concentração de desempenho observada nos últimos meses.
Quais mudanças entraram na carteira de setembro
A XP incluiu a Axia Energia (AXIA3), com peso de 7,5%, citando a forte visibilidade da empresa entre investidores estrangeiros e a possibilidade de maior alocação em ativos brasileiros. A corretora também elevou a participação em Rede D’Or (RDOR3) de 7,5% para 10%.
Em sentido contrário, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu de 10% para 7,5%, e Nubank (ROXO34), de 7,5% para 5%, diante de um cenário de crédito mais desafiador. Lojas Renner (LREN3) saiu da carteira, em meio à revogação definitiva da taxa das blusinhas e às dificuldades ainda presentes para o varejo.
- Petrobras (PETR4): 10%;
- Embraer (EMBJ3) e Rede D’Or (RDOR3): 10% cada;
- Axia Energia (AXIA3), Iguatemi (IGTI11), Sabesp (SBSP3) e Itaú (ITUB4): 7,5% cada;
- PRIO (PRIO3), Gerdau (GGBR4), Vale (VALE3), Cury (CURY3), TOTVS (TOTS3), BTG Pactual (BPAC11) e Nubank (ROXO34): 5% cada.
O que acompanhar até 2026
O cenário projetado combina uma expectativa política potencialmente favorável com riscos concretos: novas retiradas de estrangeiros, resultados corporativos fracos e perda de atratividade relativa do Brasil diante do avanço das ações associadas à inteligência artificial.
Para quem investe, o preço-alvo de 200 mil pontos é uma projeção, não uma garantia de retorno. A evolução dos lucros, do crédito, do fluxo estrangeiro e das expectativas eleitorais será determinante para avaliar se o Ibovespa conseguirá se aproximar desse nível ao longo de 2026.
