Os principais índices de Wall Street subiram nesta sexta-feira (21), mas encerraram a semana com perdas próximas de 1% ou superiores, pressionados pela alta do petróleo e pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. O movimento mostra que a recuperação do pregão não foi suficiente para compensar a forte piora do ambiente de juros e inflação ao longo dos últimos dias.

Índices se recuperam da queda da véspera

O Dow Jones avançou 0,98% no pregão, aos 53.277,01 pontos. O S&P 500, referência para o mercado acionário americano, subiu 0,43%, aos 7.674,37 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 0,44%, aos 26.180,455 pontos.

Na comparação semanal, porém, o Dow Jones recuou quase 1%, o S&P 500 caiu mais de 1% e o Nasdaq perdeu 2%. A maior queda do índice de tecnologia reflete a maior sensibilidade dessas empresas aos juros: quando os rendimentos dos títulos sobem, o valor presente dos lucros esperados para os próximos anos diminui, reduzindo a atratividade relativa das ações.

Por que os Treasuries pressionaram as ações

Após o forte movimento de venda da quinta-feira, os mercados encontraram algum alívio com a estabilização dos títulos do governo americano, embora os rendimentos tenham mantido viés de alta. O rendimento é a taxa que o investidor recebe ao comprar esses papéis e funciona como referência para o custo do dinheiro em diversos mercados.

O Treasury de 30 anos, acompanhado de perto como indicador das expectativas de inflação e de juros elevados por mais tempo, subiu mais de 3 pontos-base nesta sexta. A alta torna a renda fixa americana mais competitiva e pode reduzir o fluxo de recursos para ações, especialmente as empresas de crescimento e tecnologia.

Petróleo acumula alta de 6% na semana

O petróleo foi outro fator central para a piora do sentimento. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, avançou 0,65% no dia e terminou a sessão a US$ 94,39 por barril. Na semana, a commodity acumulou alta de 6%.

A valorização ocorreu em meio à paralisação das negociações no Oriente Médio, ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e à continuidade dos ataques na região. O fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho permaneceu baixo, elevando a preocupação com a oferta e o transporte de petróleo.

Setores financeiros e de saúde ajudam na recuperação

O setor financeiro deu suporte ao pregão, enquanto as criptomoedas caminhavam para uma alta semanal de 23% no caso do bitcoin. As ações da Coinbase subiram 7%, e os papéis da Robinhood avançaram 13%, contribuindo para a melhora do humor em segmentos ligados aos ativos digitais.

Na área de saúde, a Merck ganhou 3,56% e a Johnson & Johnson subiu 2,87%. O desempenho desses papéis ajudou a sustentar os índices mesmo com a pressão persistente dos juros longos e do petróleo.

Risco geopolítico segue no radar dos investidores

O presidente americano Donald Trump afirmou que países que mantiverem relações econômicas com o Irã também poderão sofrer sanções. A possibilidade gerou ruídos com a China, compradora do petróleo iraniano, que pediu aos dois países uma solução política e diplomática.

As eventuais retaliações econômicas dos Estados Unidos ainda não foram detalhadas. Do lado iraniano, o presidente Masoud Pezeshkian declarou que seria melhor encerrar a guerra, afirmando que o país está em uma posição de poder e dignidade.

Para quem investe, o próximo foco será acompanhar se os rendimentos dos Treasuries continuarão subindo e se a alta do petróleo persistirá. Para consumidores e trabalhadores, uma escalada prolongada do petróleo pode pressionar combustíveis e custos de transporte, enquanto juros americanos elevados tendem a manter o ambiente financeiro global mais restritivo.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode pressionar os preços dos combustíveis e, se persistir, encarecer o transporte e outros produtos no Brasil. O avanço dos juros dos Treasuries também pode aumentar a cautela global, afetando o custo de financiamento e o fluxo de recursos para mercados emergentes.