Após dois pregões de queda, Wall Street abriu esta quarta-feira (16) em alta ou sem direção única antes da decisão do Federal Reserve (Fed), revertendo a pressão negativa observada no histórico recente. Por volta das 11h54, no horário de Brasília, o S&P 500 subia 0,19%, aos 7.599,84 pontos, enquanto o Nasdaq avançava 0,43%, aos 26.093,28 pontos; o Dow Jones recuava 0,19%, aos 51.993,85 pontos.
Mercado tenta se estabilizar antes dos juros americanos
A melhora parcial do humor ocorreu enquanto os investidores aguardam a decisão do Fed, prevista para as 15h de Brasília. A queda dos preços do petróleo trouxe algum alívio, ao reduzir parte das preocupações com uma interrupção mais severa no fornecimento de energia no Oriente Médio.
Os contratos futuros do Brent recuavam 1,1%, para US$ 107,55 por barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caía 1,9%, para US$ 103,82. Relatos de que a Arábia Saudita oferecia cargas adicionais de petróleo bruto por meio de Omã ajudaram a diminuir a tensão sobre a oferta.
O que está em jogo na decisão do Fed
A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava probabilidade de aproximadamente 93% para uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros. A expectativa, porém, não elimina a incerteza: os investidores também analisam o comunicado e as declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de pistas sobre os próximos passos.
O mercado tenta entender como o banco central pretende equilibrar a inflação persistente, as tarifas e os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Uma elevação dos juros pode reduzir a demanda e pressionar os preços, mas também pode ser pouco eficaz diante de fatores que não dependem diretamente do custo do dinheiro.
Títulos do Tesouro mantêm pressão sobre as ações
Os Treasuries, títulos do governo americano, continuam no centro das atenções. O rendimento da nota de dez anos atingiu 5,041% na véspera, maior nível desde 2007, encarecendo o retorno exigido para investir em ações e outros ativos de maior risco.
Quando os juros dos títulos públicos sobem, aplicações consideradas mais seguras ficam relativamente mais atraentes. Ao mesmo tempo, o valor presente dos lucros futuros das empresas diminui, afetando principalmente companhias de tecnologia e crescimento. Nesta manhã, os Treasuries exibiam viés de baixa, acompanhando o recuo do petróleo.
Tecnologia tem desempenho dividido
As ações de tecnologia operavam de forma mista, com Nvidia e Apple registrando altas marginais. O setor de energia, por outro lado, recuava em sintonia com a queda do petróleo, que reduz a perspectiva de receita para produtoras da commodity.
Entre os destaques estavam papéis ligados a semicondutores para smartphones, como Skyworks, Qorvo e Qualcomm. O mercado também acompanhava a busca por alternativas à Nvidia no segmento de inteligência artificial e a possível abertura de capital da japonesa Kioxia nos Estados Unidos, em uma oferta estimada em US$ 10 bilhões, ligada ao avanço da demanda por chips de memória.
Como a decisão pode chegar ao Brasil
Para quem investe ou acompanha a economia brasileira, o principal ponto depois das 15h será o tom adotado por Warsh, mais do que apenas a decisão sobre a taxa. Um Fed mais duro tende a sustentar os rendimentos dos Treasuries, fortalecer o dólar e reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes, enquanto uma sinalização mais branda pode aliviar essa pressão.
O efeito também pode aparecer no custo de produtos importados e nas expectativas de inflação, além de influenciar empresas brasileiras dependentes do câmbio ou de financiamento externo. A reação inicial de Wall Street, portanto, ainda pode mudar rapidamente após o comunicado e a entrevista do presidente do banco central americano.
Impacto para a sociedade
A decisão do Federal Reserve pode influenciar o dólar, os preços de produtos importados e as condições de crédito no Brasil. Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a fortalecer a moeda americana e a reduzir o apetite por investimentos em mercados emergentes, o que pode afetar empresas, empregos e o custo de bens ligados ao câmbio.
