As bolsas de Nova York terminaram esta quinta-feira, 24 de setembro, sem direção única, após uma sessão volátil marcada por tensões no Oriente Médio, alta do petróleo e dos juros dos títulos do Tesouro americano e falas de dirigentes do Federal Reserve (Fed). O desempenho misto refletiu a disputa entre preocupações com energia e inflação e notícias que reduziram parte da apreensão sobre o Estreito de Ormuz.
Dow Jones cai, enquanto Nasdaq termina em leve alta
O Dow Jones recuou 0,31%, aos 51.349,89 pontos. O S&P 500 perdeu 0,02%, aos 7.704,13 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 0,01%, aos 26.939,37 pontos. As variações pequenas nos índices esconderam oscilações mais fortes ao longo do pregão.
O avanço dos juros dos Treasuries, títulos do governo dos Estados Unidos, também esteve no radar. Quando esses rendimentos sobem, aplicações consideradas mais seguras podem ficar relativamente mais atraentes, e o custo de financiamento tende a pesar sobre empresas. Isso pode reduzir o apetite por ações, sobretudo quando investidores também avaliam o risco de inflação.
Notícias sobre o Estreito de Ormuz mudam o humor
No começo da tarde, as bolsas renovaram as mínimas intradiárias após a notícia de que os Emirados Árabes Unidos suspenderam, a partir daquele dia, voos de companhias iranianas no país. O episódio reforçou a preocupação com a escalada de tensões na região, em um momento em que o petróleo já avançava.
Na sequência, a Reuters noticiou que Estados Unidos e Irã discutiam em Nova York um acordo em etapas para reabrir o Estreito de Ormuz. A informação deu algum fôlego aos índices, embora não tenha eliminado a volatilidade. O estreito é uma rota importante para o transporte de petróleo, e incertezas sobre sua operação podem alimentar receios de oferta mais restrita e preços de energia mais altos.
Dirigentes do Fed alertam para inflação ligada à energia
As declarações de integrantes do Fed acrescentaram pressão às negociações. John Williams, presidente da unidade do banco central em Nova York, afirmou ser razoável considerar que a instituição talvez precise elevar os juros novamente antes do fim do ano. A fala não representa uma decisão do comitê, mas indica que uma nova alta segue entre as possibilidades avaliadas.
Beth Hammack, do Fed de Cleveland, e Tom Barkin, do Fed de Richmond, também chamaram atenção para a persistência dos choques de energia. O mecanismo preocupa porque combustíveis mais caros podem pressionar a inflação; se essa pressão durar, o banco central pode manter os juros elevados por mais tempo ou voltar a aumentá-los. Taxas altas, por sua vez, encarecem o crédito e podem limitar o consumo e o investimento.
Meta sobe, enquanto Oracle e MGM pressionam ações
Entre as empresas, o setor de comunicações teve o melhor desempenho, com alta de 1,92%. A Meta avançou 4,5% depois de anunciar novos óculos inteligentes e um dispositivo portátil integrado ao agente de inteligência artificial Muse. O movimento ajudou a destacar ações ligadas à tecnologia em um pregão de direção pouco uniforme.
Na outra ponta, a Oracle caiu quase 4% após invocar uma cláusula de força maior para tentar adiar obrigações de pagamento ligadas ao Projeto Jupiter, megadatacenter no Novo México. A MGM Resorts recuou 11%, a maior queda citada, após Barry Diller desistir de comprar a operadora de cassinos. Já a Dropbox perdeu 4,81% depois que o Citi rebaixou a recomendação de suas ações de “neutra” para “venda”.
O que acompanhar depois do fechamento misto
Para quem investe, o pregão mostrou como notícias geopolíticas, energia e expectativas sobre os juros podem se combinar e mudar rapidamente o humor do mercado. A diferença entre as variações do Dow Jones, do S&P 500 e do Nasdaq também indica que os fatores específicos de cada setor e empresa continuaram relevantes, além das preocupações macroeconômicas.
Nos próximos dias, investidores devem seguir atentos a eventuais novidades sobre o diálogo entre Estados Unidos e Irã, ao comportamento do petróleo e às próximas sinalizações do Fed sobre inflação e juros. Também estava no radar o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping na Casa Branca. O material disponível não aponta um desfecho para essa reunião; por isso, seu efeito sobre os mercados ainda depende de informações posteriores.
