Wall Street tenta se recuperar nesta sexta-feira (21) depois da venda generalizada da sessão anterior, quando a pressão dos Treasuries, os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, aumentou a preocupação dos investidores com a inflação e a situação fiscal do país. A reação, porém, ainda é parcial: os principais índices operam em alta, mas caminham para terminar a semana no campo negativo.
Índices americanos avançam após o tombo da véspera
Por volta das 10h45, no horário de Brasília, o Dow Jones subia 0,68%, aos 53.120,03 pontos. O S&P 500 avançava 0,39%, aos 7.671,10 pontos, enquanto o Nasdaq, mais concentrado em empresas de tecnologia, ganhava 0,20%, aos 26.119,13 pontos.
O movimento indica uma recuperação depois das vendas provocadas pelo avanço dos rendimentos dos títulos americanos. Quando os juros pagos pelos Treasuries sobem, aplicações consideradas mais seguras ficam relativamente mais atrativas e os preços das ações tendem a sofrer, especialmente os de empresas de tecnologia e inteligência artificial, cujo valor depende mais de expectativas de crescimento no futuro.
Por que os Treasuries continuam no centro das decisões
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permanecem em níveis elevados mesmo após uma iniciativa do governo para tentar aliviar a pressão. Na quinta-feira (20), o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo pretende aumentar o volume de recompra dos papéis, podendo superar US$ 4 bilhões por emissão.
Na prática, a recompra retira parte dos títulos em circulação e pode oferecer suporte aos preços. Como preço e rendimento se movem em direções opostas, uma alta nos preços tende a reduzir os juros pagos pelos papéis. Ainda assim, os investidores avaliam que a medida é pontual e não resolve a questão central: o elevado endividamento público dos Estados Unidos.
Tecnologia sente mais os juros elevados
Na semana, ações ligadas à tecnologia, à inteligência artificial e a projetos com grande necessidade de capital, como Nvidia e SpaceX, foram penalizadas pela alta dos rendimentos dos Treasuries. O raciocínio do mercado é que juros maiores aumentam o custo de financiar expansão, pesquisa e infraestrutura.
Além disso, taxas mais elevadas reduzem o valor presente dos lucros esperados para muitos anos à frente. Por isso, mesmo quando os resultados atuais das empresas permanecem fortes, suas ações podem ser pressionadas quando o mercado passa a exigir um retorno maior para assumir risco.
Inflação, dívida e tensão com o Irã ampliam a cautela
Os investidores também acompanham os próximos passos dos Estados Unidos em relação ao Irã. Washington prometeu divulgar na segunda-feira (24) detalhes de sanções financeiras descritas por Bessent como as mais severas da história, após o presidente Donald Trump ameaçar impor consequências econômicas a países que oferecessem ajuda vital a Teerã.
O Irã respondeu que qualquer nova ameaça americana terá uma reação “devastadora”. A possibilidade de escalada geopolítica adiciona incerteza aos mercados, embora o petróleo Brent para outubro operasse praticamente estável, com baixa de 0,04%, a US$ 93,72 por barril, por volta das 10h58.
O que observar na próxima sessão
A recuperação desta sexta-feira não elimina os riscos que provocaram a venda anterior. O mercado deve continuar monitorando os rendimentos dos Treasuries, a evolução das expectativas de inflação e a percepção sobre a trajetória da dívida americana.
Para quem investe, o movimento reforça como os juros dos Estados Unidos influenciam ações, títulos e moedas no mundo todo, inclusive os ativos brasileiros. Para consumidores e trabalhadores, não há uma mudança imediata decorrente da alta moderada dos índices, mas uma pressão persistente sobre os títulos americanos pode afetar condições globais de crédito e o fluxo de recursos para mercados emergentes nas próximas semanas.
