As bolsas americanas abriram em alta nesta sexta-feira, 11 de setembro, após a divulgação do relatório de inflação de agosto e em meio à queda dos preços do petróleo. O movimento indica que os investidores consideraram administrável a aceleração dos preços ao consumidor, enquanto o petróleo mais barato ajudou a reduzir parte das preocupações com novas pressões inflacionárias.
Inflação acelera, mas fica dentro da expectativa
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto, depois de avançar 0,1% em julho. O resultado veio em linha com a previsão de analistas consultados antes da divulgação. Na comparação anual, a inflação ficou em 3,4% até agosto, repetindo a taxa acumulada em 12 meses registrada em julho.
Apesar de o dado mensal ter acelerado, a ausência de uma surpresa negativa reduziu o risco de uma reação imediata e mais forte dos investidores. O núcleo da inflação, que exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, ficou acima do esperado, sinalizando que a pressão sobre os preços ainda não desapareceu.
Petróleo em queda ajuda a melhorar o ambiente
A baixa do petróleo funcionou como um fator adicional de suporte para as ações. Como a commodity é um insumo importante para transporte, indústria e produção de diversos bens, uma queda em seus preços pode diminuir custos e aliviar as expectativas de inflação.
Esse movimento também ajuda a explicar a reação positiva mesmo com a aceleração do índice cheio. Preços de energia mais baixos podem reduzir a necessidade de juros elevados por mais tempo, embora o impacto final dependa da persistência de outros componentes da inflação e das condições geopolíticas.
Índices americanos sobem e volatilidade recua
O Dow Jones avançava 1,23%, aos 52.703,09 pontos. O S&P 500 subia 1,05%, para 7.671,57 pontos, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, ganhava 1,08%, aos 26.362,30 pontos.
O índice de volatilidade VIX, conhecido como termômetro do medo de Wall Street, recuava 1,74 ponto, para 16,16. A queda indica redução da ansiedade dos investidores no curto prazo, depois que o relatório confirmou uma inflação mais alta no mês, mas sem superar a previsão.
Juros do Fed continuam no centro das decisões
As expectativas para a política monetária americana seguem oscilando. De acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, os operadores passaram a atribuir probabilidade de 86% a uma elevação dos juros na próxima reunião do Federal Reserve, ante quase 70% antes da divulgação do relatório.
O dado veio um dia depois de o índice de preços ao produtor também ficar ligeiramente acima do esperado. Rendimentos elevados dos títulos do Tesouro americano e o agravamento do conflito no Oriente Médio continuam entre os fatores que podem aumentar a instabilidade dos mercados.
O que observar depois da alta desta sexta-feira
Para quem investe, a alta inicial das bolsas não elimina os riscos relacionados à inflação persistente e à trajetória dos juros americanos. Taxas mais elevadas tendem a encarecer o crédito, reduzir o valor presente de empresas de crescimento e tornar títulos de renda fixa mais competitivos em relação às ações.
Para consumidores e empresas, a direção do petróleo e das taxas americanas pode influenciar custos de energia, câmbio e financiamento. O próximo passo do mercado será avaliar se os dados seguintes confirmam a aceleração dos preços ou se o resultado de agosto foi apenas uma piora pontual.
Impacto para a sociedade
A decisão do Federal Reserve influencia o custo do dinheiro no mundo e pode afetar o dólar, os juros e os preços de produtos importados no Brasil. A queda do petróleo também pode aliviar pressões sobre combustíveis e inflação, embora o efeito para o consumidor brasileiro não seja imediato.
