Wall Street iniciou o pregão desta quarta-feira (2) em alta, apoiada pela moderação dos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries, depois de ambos terem avançado no começo da sessão. Por volta das 11h36, no horário de Brasília, o S&P 500 subia 0,56%, aos 7.673,84 pontos, enquanto o Dow Jones avançava 0,76%, aos 53.170,33 pontos, e o Nasdaq ganhava 0,46%, aos 26.220,547 pontos.

Petróleo perde força, mas continua no centro das preocupações

O barril do Brent recuava cerca de 0,4%, para a faixa de US$ 94. A baixa ajudou a aliviar parte da pressão sobre as ações, porque o petróleo mais caro eleva os custos de empresas e pode reacender temores de inflação, dificultando a redução dos juros pelos bancos centrais.

A commodity continua, porém, em patamar elevado diante da troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. Em momentos de maior tensão no Oriente Médio, investidores incorporam o risco de interrupções na oferta ou no transporte de petróleo, o que tende a aumentar a volatilidade dos preços.

Rendimento dos títulos americanos também recua

O rendimento do Treasury de dez anos atingiu o maior nível desde novembro de 2023, mas depois inverteu o sinal e passou a operar em queda. O rendimento é a taxa de retorno exigida pelos investidores para manter o título; quando ele sobe, aplicações de renda fixa ficam mais atraentes e o custo de financiamento aumenta para empresas e governos.

A queda registrada ao longo da manhã reduziu parte da pressão sobre as ações, especialmente as de empresas de crescimento, que dependem mais de expectativas de resultados no futuro. A alta dos juros dos Treasuries também havia pressionado títulos ao redor do mundo, com o rendimento dos papéis de dez anos do Japão próximo das máximas observadas nas últimas décadas.

Emprego privado dos EUA desacelera em agosto

No front macroeconômico, o Relatório Nacional de Emprego da ADP mostrou a criação de 38 mil vagas no setor privado em agosto, abaixo das 46 mil vagas registradas em julho após revisão. O resultado também ficou aquém da expectativa de 48 mil postos de trabalho.

Uma contratação mais fraca pode reduzir a pressão sobre os salários e sobre a inflação, além de reforçar a expectativa de juros menos elevados nos Estados Unidos. Por outro lado, também sinaliza perda de ritmo da economia, o que pode afetar as projeções de lucro das companhias listadas.

Payroll será o próximo teste para o Federal Reserve

O mercado aguarda agora o payroll, relatório oficial de emprego dos Estados Unidos acompanhado de perto pelo Federal Reserve, o banco central americano. O indicador será importante para avaliar se a desaceleração apontada pela ADP é pontual ou parte de uma tendência mais ampla no mercado de trabalho.

Uma leitura mais fraca pode diminuir a pressão por juros elevados, mas uma surpresa positiva pode reverter esse movimento ao indicar que a economia ainda suporta uma política monetária restritiva. Essa interpretação influencia os Treasuries, o dólar, as bolsas e as condições financeiras em diversos países.

O que observar nos mercados a partir de agora

Para o investidor brasileiro, a abertura positiva de Wall Street melhora o ambiente para ativos de risco, mas não elimina os fatores de instabilidade. Petróleo, rendimentos dos títulos americanos e a evolução dos ataques no Oriente Médio continuam capazes de provocar mudanças rápidas nas cotações.

A trajetória do emprego americano também será determinante para as expectativas sobre o Fed. Ao mesmo tempo, o mercado monitora a possibilidade de alta dos juros em setembro pelo Banco do Japão após declarações do presidente da instituição, Kazuo Ueda, movimento que pode afetar os fluxos internacionais de capital.

Impacto para a sociedade

A moderação do petróleo reduz, no curto prazo, o risco de novos aumentos nos custos de combustíveis, transporte e produção, embora o barril ainda esteja em nível elevado. Se a tensão no Oriente Médio persistir e mantiver o petróleo pressionado, o efeito pode chegar à inflação e ao custo de vida no Brasil. Já a desaceleração do emprego nos Estados Unidos pode influenciar o ritmo da economia global e, indiretamente, os mercados e o crédito.