A negociação de ações na B3 superou R$ 30 bilhões por dia em agosto, em meio à maior volatilidade associada à corrida eleitoral. O volume financeiro médio chegou a R$ 30,3 bilhões, alta de 26,1% em relação a agosto de 2025 e de 33,8% ante julho, quando a média diária havia sido de R$ 22,6 bilhões. O movimento mostra um mercado mais ativo, mas não necessariamente mais otimista ou estruturalmente fortalecido.

Mercado à vista concentra o aumento das operações

A maior parte da movimentação ocorreu no mercado à vista, que reúne a compra e a venda tradicional de ações. Foram R$ 28,8 bilhões negociados diariamente, em média, alta de 25,3% em 12 meses e de 32,5% na comparação com julho, quando o volume havia ficado em R$ 21,7 bilhões.

O restante veio principalmente de instrumentos como opções e operações com contratos futuros. O aumento do giro indica que investidores ajustaram posições com mais frequência diante das oscilações de preços e das incertezas sobre o cenário eleitoral. Em períodos assim, tanto compras quanto vendas podem crescer, sem que o resultado represente uma direção única para a bolsa.

Investidor estrangeiro vende e institucionais locais absorvem

Agosto foi marcado por uma forte troca de posições entre os grupos de investidores. O capital estrangeiro registrou retirada líquida de aproximadamente R$ 18,1 bilhões, concentrada na primeira metade do mês. Entre os dias 6 e 14, houve uma sequência de vendas, incluindo uma saída líquida de R$ 4,72 bilhões somente em 11 de agosto.

Na outra ponta, os investidores institucionais brasileiros — como fundos e entidades que administram grandes volumes — tiveram saldo comprador de cerca de R$ 11,4 bilhões. As pessoas físicas também compraram mais do que venderam, mas em escala menor, com saldo positivo de R$ 2,1 bilhões. Na última semana e meia do mês, o estrangeiro voltou a comprar, especialmente nos dias 21, 25 e 26.

Opções avançam mais de 75% em um ano

O mercado de opções, contratos que dão ao investidor o direito de comprar ou vender um ativo por determinado preço, também ganhou força. O volume financeiro médio diário alcançou R$ 1,28 bilhão em agosto, alta de 75,6% ante os R$ 730 milhões registrados no mesmo mês de 2025.

Na comparação mensal, o crescimento foi de 71,1%, já que o mercado havia movimentado R$ 748 milhões por dia em julho. As opções podem ser usadas para proteger uma carteira contra quedas ou para assumir posições relacionadas à expectativa de alta e baixa dos preços, o que ajuda a explicar a expansão em um ambiente mais volátil.

Safra vê impulso conjuntural na bolsa

A avaliação do Safra é que agosto foi um mês neutro para a B3. Para os analistas, o aumento do volume decorreu principalmente da volatilidade provocada pelas eleições, e não de uma melhora estrutural nas condições do mercado.

A instituição considera que a bolsa pode continuar se beneficiando do maior número de operações enquanto o processo eleitoral mantiver os preços mais instáveis. A análise acompanha uma recomendação de compra para as ações da B3, com preço-alvo de R$ 23, mas essa avaliação não elimina os riscos de novas mudanças no fluxo de investidores e nas cotações.

O que os números indicam para os próximos pregões

A B3 encerrou agosto com 5,82 milhões de investidores pessoas físicas, alta de 8,3% em um ano e de 0,8% ante julho. O dado sugere uma base maior de participantes, embora o saldo comprador desse grupo tenha sido relativamente modesto no mês.

Também houve movimentos distintos em outros segmentos: operações a termo e futuros de ações movimentaram R$ 186 milhões por dia, queda anual de 34,6%, mas alta mensal de 37,7%. O volume médio de derivativos de commodities subiu 68,2% em um ano, para 41 mil contratos diários, enquanto os contratos futuros de criptoativos recuaram 59,3%, para 304 mil. Para quem investe, o dado central é que o giro elevado pode continuar enquanto as eleições alimentarem incertezas; volume maior, por si só, não significa menor risco.