A Vibra Energia (VBBR3) está ampliando a aposta em diesel de maior valor agregado para a mineração após testes com a Vale indicarem redução de até 6% no consumo de combustível. O produto, chamado Supera Plus, busca elevar a eficiência e a rentabilidade dos contratos corporativos da Vibra, em vez de apenas aumentar a participação da empresa em um mercado no qual já detém quase 60%.
Diesel foi desenvolvido para operações de mineração
O Supera Plus passou a ser o produto mais sofisticado da linha de diesel da Vibra, acima das versões comum e aditivada. A formulação foi criada para máquinas pesadas submetidas a condições severas de operação, nas quais o consumo de combustível e o custo de paradas não programadas têm impacto relevante sobre o resultado das mineradoras.
O teor de biodiesel segue o percentual exigido pela regulação, mas a Vibra seleciona uma matéria-prima de maior qualidade, com menos contaminantes e maior estabilidade. O combustível também recebe aumentadores de cetano, que melhoram a eficiência da queima, além de inibidores de corrosão e de oxidação, que ajudam a proteger os componentes metálicos e a retardar a degradação do diesel durante a operação.
Testes com a Vale mostraram economia no consumo
Os testes realizados pela Vale Base Metals, subsidiária da Vale voltada a metais básicos, serviram de base para o lançamento comercial. Na mina de Salobo, no Pará, a Vibra registrou redução de cerca de 5% no consumo de combustível com o Supera Plus. A economia anual estimada para a operação foi de R$ 9,27 milhões.
Também houve redução de 40% nas obstruções de filtros, segundo a Vibra, além de ganhos relacionados à manutenção dos equipamentos. Em Onça Puma, igualmente no Pará, a queda no consumo chegou a 6% nas operações de transporte de minério, enquanto o intervalo entre trocas de filtros aumentou de 250 para 500 horas.
Como a Vibra pretende ganhar mais com o produto
O vice-presidente executivo de B2B da Vibra, Juliano Prado, afirmou que o Supera Plus permitiu reduzir em aproximadamente 5% o consumo em operações da Vale, além de contribuir para a redução de emissões e para a manutenção dos equipamentos. A proposta é deixar de vender apenas uma commodity, produto geralmente comparado principalmente pelo preço, e oferecer uma solução com ganhos operacionais mensuráveis.
A estratégia inicial não é conquistar participação de mercado, mas aprofundar o relacionamento com clientes que já compram combustível da companhia e aumentar a rentabilidade dos contratos. A lógica é que uma economia no consumo, menos manutenção e menor tempo de máquina parada possam justificar um produto de preço mais alto.
Mineração é a porta de entrada para outros setores
A mineração foi escolhida por combinar consumo intenso de diesel com elevado custo de interrupções. A Vibra vende cerca de 1,7 milhão de metros cúbicos por ano ao setor mineral, volume equivalente a aproximadamente 20% das vendas de diesel da divisão B2B. Entre os clientes estão Vale, Gerdau, Alcoa, Mineração Rio do Norte e Jacobina.
Embora o lançamento tenha começado no setor mineral, a companhia pretende levar a solução a outras indústrias. Agronegócio, logística e operações industriais também podem utilizar combustíveis premium quando ganhos de eficiência e manutenção compensarem o custo adicional.
O que o movimento representa para investidores
Para quem acompanha a Vibra, o Supera Plus representa uma tentativa de melhorar a qualidade da receita na divisão corporativa, reduzindo a dependência da simples comercialização de diesel. O resultado, porém, dependerá da capacidade de transformar os ganhos observados nos testes em contratos recorrentes e em margem maior.
Os próximos passos são a expansão comercial do produto e a avaliação de sua adoção por outros segmentos. Para consumidores e trabalhadores, o efeito direto tende a ser limitado, já que se trata de uma estratégia voltada a grandes empresas. Para o acionista, o ponto central será verificar se a oferta premium consegue gerar valor adicional sem elevar de forma excessiva os custos de desenvolvimento e atendimento.
