As vendas do varejo brasileiro subiram 0,5% em junho na comparação com maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou acima das expectativas de alta de 0,3% e mostrou aceleração em relação ao avanço de 0,3% registrado em maio, depois de uma queda de 1,5% em abril. Na comparação com junho de 2025, as vendas cresceram 2,9%, também acima da previsão de 2,35%.

Quatro dos oito segmentos pesquisados avançaram

A alta mensal foi concentrada em quatro das oito atividades acompanhadas pelo IBGE. O maior crescimento veio de outros artigos de uso pessoal e doméstico, com avanço de 2,4% em junho. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo venderam 1,1% mais, enquanto móveis e eletrodomésticos subiram 0,4% e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria tiveram alta de 0,2%.

Do lado negativo, livros, jornais, revistas e papelaria registraram queda de 9,9%. Tecidos, vestuário e calçados recuaram 2,6%, combustíveis e lubrificantes caíram 1,7% e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação diminuíram 1,3%.

Varejo ampliado teve desempenho mais fraco

O varejo ampliado, indicador que inclui veículos, motos, partes e peças, materiais de construção e o atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, apresentou resultado diferente: as vendas recuaram 1,0% em junho.

A diferença sugere que o avanço do comércio foi mais concentrado nas atividades classificadas como varejo restrito. O desempenho mais fraco de segmentos ligados a bens duráveis e construção também pode refletir a dificuldade de comprar produtos de maior valor em um ambiente de crédito caro.

Juros altos limitam o consumo, mas não interrompem a demanda

A política monetária restritiva — estratégia usada pelo Banco Central para conter a inflação por meio de juros elevados — continua sendo um obstáculo para o varejo. Com a Selic em 14%, financiamentos, empréstimos e parcelamentos tendem a ficar mais caros, reduzindo o poder de compra e adiando decisões de consumo, especialmente em veículos, móveis e eletrodomésticos.

Mesmo assim, o setor ainda encontra suporte no mercado de trabalho, que permanece forte, e em medidas de estímulo ao consumo. Esses fatores ajudam a manter a renda disponível e explicam por que as vendas conseguiram crescer no fim do segundo trimestre, apesar das condições financeiras apertadas.

Economistas esperam desaceleração da atividade

O resultado de junho não elimina a expectativa de moderação do varejo ao longo dos próximos meses. A manutenção dos juros em nível elevado tende a produzir efeitos gradualmente: primeiro encarece o crédito e reduz novas compras; depois, pode diminuir o ritmo de contratação, investimento e renda, enfraquecendo o consumo.

Por isso, a leitura dos dados combina sinais positivos e de cautela. O crescimento anual de 2,9% mostra que o comércio ainda se expande, mas a queda do varejo ampliado e o recuo de quatro segmentos indicam que a recuperação não é uniforme.

O que o dado indica para consumidores e investidores

Para quem consome, o número reforça que a atividade econômica ainda não perdeu força por completo, embora o crédito continue pressionado pela Selic. Para quem trabalha, vendas mais firmes podem sustentar a demanda por mão de obra no curto prazo, mas uma desaceleração posterior ainda é esperada caso os juros altos persistam.

Para os investidores, o resultado pode alterar a percepção sobre o ritmo de atividade e sobre as próximas decisões de juros, mas não determina sozinho a trajetória da política monetária. Os próximos dados de inflação, emprego e consumo serão importantes para mostrar se o avanço de junho representa uma recuperação consistente ou apenas uma melhora pontual após a queda de abril.

Impacto para a sociedade

O resultado indica que o consumo das famílias continuou sustentando a economia em junho, apesar dos juros elevados. Para o consumidor, a Selic em 14% encarece financiamentos e empréstimos, mas o mercado de trabalho aquecido e medidas de estímulo ajudam a preservar parte da demanda. A combinação será importante para definir o ritmo de atividade e dos juros nos próximos meses.