A Vale (VALE3) vai investir R$ 972,36 milhões, o equivalente a aproximadamente US$ 190 milhões, para adquirir 30% da Ligga e participar da expansão da capacidade da mineradora em quatro vezes. O projeto elevará a produção da mina Ferro Sul, no Pará, de cerca de 2 milhões para 8 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, além de garantir à Vale a compra de toda a produção de um tipo específico do minério.
O que está incluído no investimento da Vale
A participação será adquirida por meio de um aporte de capital na Ligga, empresa que opera a mina Ferro Sul nos municípios de Parauapebas e Curionópolis, na região de Carajás. O desembolso dará à Vale uma fatia minoritária, sem controle integral da operação, mas ampliará seu acesso a uma nova fonte de minério.
A transação também prevê um contrato de longo prazo para a compra exclusiva, pela Vale, de 100% do sinter feed produzido pela Ligga. Esse material é um minério de granulometria mais fina usado na fabricação de sínter, uma das matérias-primas empregadas na produção de aço.
Como funcionará a expansão da mina Ferro Sul
O plano é elevar a capacidade anual da operação de 2 milhões para 8 milhões de toneladas até junho de 2028. Na prática, isso representa uma multiplicação por quatro, ou um aumento de 300% em relação ao nível atual de produção.
Para alcançar essa meta, o projeto contempla uma nova planta de beneficiamento, obras de infraestrutura e a implantação de uma solução ferroviária. Depois de produzido, o minério será transportado pela Estrada de Ferro Carajás até o Porto de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão.
Por que a Vale quer mais minério no Sistema Norte
A estratégia permite à Vale ampliar a disponibilidade de minério de boa qualidade sem assumir sozinha todo o investimento necessário para desenvolver uma nova operação. A companhia afirmou que o contrato de compra dará acesso de longo prazo a volumes adicionais, com menor intensidade de capital e integração à infraestrutura logística que já utiliza.
O projeto é pequeno diante da escala global da mineradora. A Vale produziu 336 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, além de 31 milhões de toneladas de pelotas. Ainda assim, a aquisição pode aumentar a flexibilidade do portfólio no Sistema Norte e assegurar uma fonte complementar de suprimento.
Riscos, aprovações e reação das ações
A conclusão do negócio ainda depende das aprovações corporativas e regulatórias usuais. A Vale também afirmou que não confirma estimativas feitas por terceiros sobre as reservas minerais da Ligga, expansões adicionais, exploração de outros tipos de minério ou uma eventual produção futura de pellet feed.
As ações VALE3 operavam em queda de 0,72% por volta das 14h desta terça-feira (22). A oscilação intradiária, contudo, não permite concluir que o mercado tenha atribuído um efeito permanente à operação. Para os acionistas, os pontos centrais serão a execução da expansão, o cumprimento do prazo de junho de 2028 e o impacto do novo fornecimento sobre custos, logística e produção da Vale.
O que muda para a Vale e o que vem a seguir
O acordo combina uma participação societária com um compromisso de compra da produção, permitindo à Vale ampliar seu acesso ao minério sem incorporar integralmente a Ligga. A expansão também pode fortalecer o uso da infraestrutura ferroviária e portuária já conectada ao Sistema Norte.
Agora, o acompanhamento deve se concentrar na aprovação da transação, no avanço das obras e na capacidade da Ligga de atingir os 8 milhões de toneladas anuais. Para quem investe, o negócio acrescenta uma frente de crescimento operacional à Vale, mas seus resultados dependerão da execução do projeto e das condições do mercado de minério de ferro.
