As ações da Usiminas (USIM5) subiram até 9,47% nesta segunda-feira (24), após ganhar força no mercado a intenção da Ternium de fechar o capital da siderúrgica. Por volta das 16h15, os papéis avançavam 7,94%, a R$ 7,07, entre os destaques positivos do Ibovespa. O movimento reflete a possibilidade de uma operação que alteraria a negociação das ações e depende da aprovação dos acionistas minoritários.
Por que a possibilidade de fechamento impulsionou a ação
O fechamento de capital, também chamado de deslistagem, ocorre quando uma companhia deixa de ter suas ações negociadas em bolsa. Em geral, a operação envolve uma oferta para comprar os papéis dos acionistas que não fazem parte do grupo controlador, mas as condições precisam seguir as regras aplicáveis e obter as aprovações necessárias.
Para a Ternium, a intenção ainda não representa uma operação concluída. A companhia ítalo-argentina precisa do aval dos minoritários da Usiminas. A expectativa de uma eventual oferta pode, contudo, levar investidores a recalcular o valor das ações, especialmente se houver uma diferença entre o preço de mercado e o valor que poderia ser oferecido na transação.
O histórico de controle da Usiminas
O movimento ocorre após mudanças relevantes na estrutura acionária da siderúrgica. Em 2023, a Ternium assinou um acordo para comprar o controle da Usiminas. No fim de 2025, o Grupo NSC, formado por Nippon Steel e Mitsubishi, fechou contrato com a Ternium para vender sua participação na empresa.
A operação envolveu 153.135.207 ações vinculadas ao acordo de acionistas. Esse conjunto correspondia a 31,67% do total de ações ligadas ao acordo e a 21,71% de todas as ações ordinárias da Usiminas. Antes disso, Ternium e Nippon Steel passaram anos em conflito sobre a condução da companhia, disputa encerrada em 2018 por meio de um acordo que previa alternância nas indicações para a presidência-executiva.
O risco para os acionistas minoritários
O principal ponto de atenção está nas condições da eventual saída da bolsa. Uma análise citada no mercado apontou como risco a possibilidade de uma deslistagem sem direito ao tag along, mecanismo que assegura aos acionistas minoritários o direito de vender suas ações por um preço proporcional ao pago ao controlador em determinadas mudanças de controle.
Sem essa proteção, poderia aumentar a diferença entre os preços das ações ordinárias e preferenciais da Usiminas. Isso significa que, mesmo com a valorização observada nesta segunda-feira, os acionistas ainda enfrentam incerteza sobre o formato, o preço e a aprovação de qualquer operação.
Resultado do segundo trimestre também estava no radar
A reação ocorre depois de a Usiminas registrar lucro líquido de R$ 428 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 236% ante o mesmo período de 2025 e queda de 52% em relação ao primeiro trimestre. O resultado superou o consenso de R$ 281 milhões reunido pela Bloomberg.
O Ebitda ajustado, indicador que mostra o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 761 milhões, alta anual de 86%. A margem Ebitda subiu 6,2 pontos percentuais, para 12%. Por outro lado, a receita líquida caiu 7% na comparação anual, para R$ 6,13 bilhões.
O que observar a partir de agora
Para quem investe, os próximos passos são a formalização da intenção pela Ternium, a definição das condições para os minoritários e a eventual votação da proposta. Até lá, a alta de USIM5 incorpora a possibilidade de uma operação, mas não elimina os riscos ligados à estrutura da oferta e à sua aprovação.
O desempenho operacional recente pode influenciar a avaliação da empresa, mas não determina sozinho o desfecho do fechamento de capital. A negociação dos papéis tende a continuar sensível a novas informações sobre o processo, enquanto os acionistas avaliam o possível preço de saída e as proteções disponíveis.
