A União Europeia anunciou investimentos de € 200 milhões na Groenlândia, com foco em minerais essenciais, comunicações via satélite e energia renovável. O pacote, apresentado durante a visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforça o apoio ao território e à Dinamarca em meio à pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que Washington assuma o controle da ilha.

Investimento amplia presença econômica europeia

Os recursos representam uma ampliação relevante da atuação europeia na Groenlândia, região semiautônoma do Reino da Dinamarca. A União Europeia já financia atividades locais, principalmente relacionadas aos direitos de pesca e ao sistema educacional, mas agora pretende direcionar dinheiro para setores considerados estratégicos.

Minerais essenciais são matérias-primas usadas em tecnologias industriais e energéticas, enquanto a expansão das comunicações por satélite pode melhorar a conectividade em uma área remota. O investimento em fontes renováveis também busca aproveitar o potencial local e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Ártico ganha peso na disputa entre potências

A importância econômica e militar da Groenlândia aumentou com o derretimento do gelo no Ártico. A mudança climática abre novas rotas marítimas e facilita o acesso a riquezas minerais, elevando o interesse de Estados Unidos, Rússia, China e países europeus pela região.

Durante a visita, von der Leyen afirmou que o Ártico se tornou um ponto de choque entre as grandes forças da geopolítica. Ela também disse que a Comissão Europeia apresentará uma nova estratégia para a região nos próximos meses.

Pressão de Trump provocou crise com Dinamarca

Trump intensificou neste ano as exigências para que os Estados Unidos controlassem a Groenlândia. O argumento apresentado pelo presidente americano é que a Dinamarca não teria capacidade suficiente para defender o território, que ocupa posição estratégica no Atlântico Norte e no Ártico.

A Dinamarca e o governo da Groenlândia rejeitaram a proposta. Von der Leyen declarou que o futuro da ilha deve ser decidido pelo povo groenlandês e pelos dinamarqueses, “e por mais ninguém”, além de reiterar a solidariedade europeia ao território.

Negociações de segurança ainda não avançaram

A Groenlândia integra a área protegida pelo tratado de defesa mútua da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Autoridades europeias lembram que os Estados Unidos já podem ampliar sua presença militar na ilha dentro das regras de um acordo de longa duração.

Em janeiro, Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordaram em Davos que Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia iniciariam negociações, enquanto a aliança aumentaria seu papel na segurança do Ártico. As conversas, porém, ainda não produziram um acordo, e Trump voltou a defender o controle americano durante a cúpula da Otan na Turquia, em julho.

O que muda na relação entre UE e Groenlândia

A Groenlândia deixou a União Europeia em 1985, embora seus habitantes, por serem cidadãos dinamarqueses, também tenham cidadania europeia. O novo pacote financeiro sinaliza que Bruxelas pretende estreitar os vínculos econômicos mesmo sem a ilha fazer parte do bloco.

Além dos € 200 milhões anunciados, a Comissão Europeia propôs elevar o financiamento destinado à Groenlândia de € 225 milhões no orçamento de sete anos em vigor para € 530 milhões entre 2028 e 2034. Na prática, o aumento direciona mais capital europeu para infraestrutura e recursos estratégicos da região, enquanto a disputa diplomática continua.