O UBS estima que o Ibovespa pode se valorizar até 30% caso Flávio Bolsonaro vença o segundo turno e o próximo governo implemente um ajuste fiscal robusto. A projeção, que considera os próximos meses, depende de uma combinação de política econômica mais previsível, juros reais menores e melhora nos resultados das empresas; não é uma garantia de alta. O cenário ganhou força após Flávio liderar o primeiro turno, mas a disputa só será decidida em 25 de outubro.
O resultado eleitoral reforçou a hipótese fiscal
Com todas as urnas apuradas, Flávio terminou o primeiro turno com cerca de 47,1% dos votos válidos, ante aproximadamente 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como nenhum candidato obteve maioria absoluta, haverá segundo turno. O UBS avalia que a liderança do senador e a composição mais à direita do novo Congresso aumentam a possibilidade de uma agenda de ajuste fiscal.
Essa perspectiva, porém, ainda depende de decisões futuras. O cenário considerado pelo banco inclui uma regra de gastos mais rígida, reformas para conter despesas obrigatórias e uma trajetória sustentável para o superávit primário — a diferença entre receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida.
Por que uma mudança fiscal pode elevar as ações
Uma política fiscal considerada mais confiável pode reduzir a percepção de risco sobre as contas públicas. Se isso contribuir para diminuir os juros reais, as empresas podem enfrentar custos de financiamento menores, enquanto investimentos e consumo tendem a ganhar espaço. Juros mais baixos também podem tornar ações relativamente mais atraentes diante de aplicações de renda fixa, embora os efeitos dependam das condições econômicas.
O UBS destaca que a Bolsa brasileira estava negociada a cerca de 8,7 vezes os lucros projetados para os 24 meses seguintes, abaixo da média de 9,7 vezes da década anterior. Se a avaliação dos investidores melhorar, esse múltiplo de preço sobre lucro poderia chegar perto de 11,8 vezes, nível que o banco associa a um cenário fiscal mais favorável. Essa reavaliação, somada a juros reais menores e a lucros empresariais melhores, embasa a estimativa de valorização de até 30%.
Ações ligadas ao mercado interno estão no foco
Para o banco, empresas mais expostas à atividade econômica brasileira podem ser as principais beneficiadas. Entre os segmentos citados estão bancos, varejo, construção civil, serviços públicos, educação, saúde e empresas menores, conhecidas como small caps. A lógica é que essas companhias tendem a depender mais do crédito, do consumo e dos investimentos no país.
O UBS observa que esses papéis chegaram ao período eleitoral com desconto em relação ao histórico. Embora o Ibovespa acumulasse alta próxima de 14% no ano até a sexta-feira anterior à votação, o desempenho das ações brasileiras era mais modesto quando as petroleiras eram excluídas. Para o banco, isso indica que a cautela dos investidores ainda pesava sobre empresas domésticas.
O que pode prolongar — ou limitar — uma reprecificação
O posicionamento dos investidores locais também é apontado como um fator que pode ampliar o movimento: houve saída significativa de recursos domésticos da renda variável no início do ano. Se a percepção de risco fiscal melhorar, parte desse dinheiro poderia retornar gradualmente à Bolsa. Ainda assim, a previsão depende de confiança na execução da agenda, e não apenas do resultado eleitoral.
O UBS avalia que, em ciclos anteriores, a valorização não ficou necessariamente restrita ao período logo após a eleição. Ela poderia continuar no primeiro ano do novo governo, conforme propostas de reforma avancem no Congresso. Para quem acompanha o mercado, os próximos marcos são o segundo turno e, depois, os sinais concretos sobre gastos, reformas e condução fiscal; até lá, a projeção permanece condicionada.
Impacto para a sociedade
Um ajuste fiscal pode influenciar o custo dos juros e a capacidade do governo de financiar despesas e serviços públicos, mas a previsão depende de uma eleição ainda em aberto e de medidas que não foram definidas. A valorização projetada para a Bolsa não significa, por si só, aumento de renda ou queda de preços para as famílias.
