O UBS passou a projetar duas altas dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em 2026 e, diante desse cenário, também indicou aos investidores quais tipos de ativos devem ser considerados. A previsão sinaliza uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, com potencial para influenciar o dólar, as bolsas, os títulos de renda fixa e os mercados emergentes, incluindo o Brasil.

O que significa esperar duas altas do Fed

O Fed é o banco central dos Estados Unidos e usa os juros para tentar equilibrar inflação e atividade econômica. Quando aumenta a taxa, o crédito tende a ficar mais caro e o estímulo ao consumo e aos investimentos diminui. O objetivo normalmente é reduzir pressões sobre os preços, mas o efeito também pode ser uma desaceleração da economia.

A projeção do UBS se refere ao comportamento dos juros americanos ao longo de 2026. O número de duas elevações, por si só, não informa o tamanho de cada ajuste nem em quais reuniões eles ocorreriam, mas indica uma visão de que o Fed ainda poderá precisar apertar as condições financeiras durante o ano.

Por que a decisão americana afeta outros países

Os títulos do governo dos Estados Unidos são tratados como referência para boa parte do mercado global. Se os juros americanos sobem, esses papéis podem se tornar mais atrativos em relação a investimentos de maior risco, especialmente quando a remuneração adicional oferecida por outros países não compensa a incerteza.

Esse movimento pode estimular a saída de recursos de mercados emergentes e aumentar a procura pelo dólar. Para o Brasil, um real mais fraco pode elevar o custo de bens e insumos importados. O impacto pode chegar a produtos que dependem de componentes estrangeiros, além de influenciar expectativas de inflação e as decisões futuras do Banco Central.

Como a projeção pode mexer com ações e títulos

Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a reduzir o valor presente dos lucros esperados das empresas. Na prática, companhias cujo resultado depende de crescimento futuro podem sofrer maior pressão nas avaliações, enquanto setores mais defensivos ou empresas com geração de caixa atual podem ser relativamente menos afetados.

Na renda fixa, a alta dos juros costuma elevar a remuneração oferecida por novos títulos. Ao mesmo tempo, papéis emitidos anteriormente podem perder valor no mercado, porque passam a competir com investimentos novos que pagam taxas maiores. Esse ajuste pode ocorrer mesmo antes da decisão oficial, quando os investidores incorporam a expectativa aos preços.

O que está por trás da orientação do UBS

Ao combinar a previsão de duas altas com uma orientação sobre ativos, o UBS indica que os investidores devem considerar um ambiente de dinheiro mais caro e maior seletividade no mercado. A instituição relaciona sua visão para a política monetária a escolhas de investimento, em vez de tratar a trajetória dos juros como um evento restrito aos Estados Unidos.

A recomendação, porém, precisa ser interpretada de acordo com o risco, o prazo e a moeda de cada aplicação. Um ativo beneficiado por juros mais altos pode apresentar oscilações relevantes, enquanto uma posição defensiva pode proteger melhor o patrimônio, mas limitar ganhos em um cenário diferente do projetado.

O que observar até o fim de 2026

A previsão do UBS não representa uma decisão tomada pelo Fed. O banco central americano ainda pode mudar sua trajetória conforme evoluam a inflação, o mercado de trabalho e o ritmo da atividade econômica. Por isso, o mercado tende a revisar as apostas a cada novo indicador e comunicado oficial.

Para quem investe no Brasil, os principais canais de transmissão são o dólar, os juros domésticos, a Bolsa e os títulos de renda fixa. Para quem consome ou trabalha, o efeito é indireto, mas pode aparecer no preço de produtos importados, no custo do crédito e no ritmo da economia. A definição dos ativos mais adequados depende do perfil de cada investidor e deve considerar que a projeção pode não se confirmar.

Impacto para a sociedade

A previsão para os juros dos Estados Unidos pode afetar o Brasil porque mudanças na política do Federal Reserve influenciam o dólar, os fluxos de capital e as condições de financiamento no mercado global. Para consumidores e empresas, alterações no câmbio podem encarecer produtos importados e pressionar custos, enquanto uma mudança na percepção de risco pode afetar crédito, investimentos e decisões de contratação.