A UBS manteve uma avaliação favorável para a Bolsa brasileira mesmo com as eleições presidenciais de outubro no horizonte. O banco considera que os preços descontados das ações e a possibilidade de melhora fiscal oferecem uma relação entre riscos e ganhos ainda atraente, embora o resultado eleitoral possa influenciar os juros e o mercado de ações.
O que sustenta a avaliação favorável da UBS
O banco manteve a classificação overweight para o Brasil dentro dos mercados emergentes. Na prática, o termo indica preferência relativa pelo mercado brasileiro em comparação com outros países desse grupo; não significa garantia de retorno para as ações. Para a UBS, os descontos atuais da Bolsa ajudam a compensar os riscos associados ao período eleitoral.
Na leitura dos estrategistas, o Brasil é um mercado em que as decisões macroeconômicas costumam pesar mais sobre os ativos do que os resultados individuais das empresas. Por isso, os investidores acompanham não apenas quem vencerá a eleição, mas também o rumo da política fiscal depois da votação.
Política fiscal é o principal ponto de atenção
A UBS identifica dois caminhos possíveis: a continuidade da expansão fiscal ou uma consolidação das contas públicas. O banco considera essa diferença o principal fator eleitoral para os mercados, porque a percepção sobre gastos e equilíbrio fiscal influencia as expectativas para os juros e, por consequência, a avaliação das ações.
As pesquisas vêm aproximando as probabilidades dos principais cenários, enquanto o posicionamento dos investidores ainda indica maior expectativa de continuidade da expansão fiscal. Para a UBS, isso cria uma assimetria: parte dos riscos de um cenário fiscal mais expansionista já estaria refletida nos preços, ao passo que uma consolidação poderia trazer ganhos mais expressivos.
Juros altos ajudam a explicar o desconto das ações
O banco aponta os juros domésticos elevados como a principal razão para as ações brasileiras negociarem com desconto, apesar de fundamentos corporativos considerados sólidos. Quando a renda fixa oferece retornos maiores, ela se torna mais competitiva diante da Bolsa; além disso, juros altos elevam o custo de financiamento das empresas e reduzem o valor atribuído hoje a lucros esperados no futuro.
Segundo a UBS, as taxas locais subiram de forma expressiva depois de 2021 e continuam acima das praticadas na maioria dos mercados emergentes. Assim, a trajetória dos juros no Brasil permanece decisiva para o desempenho das ações, além das incertezas relacionadas à eleição.
Projeções de lucro e rentabilidade destoam da avaliação
Apesar da percepção negativa predominante no mercado, a UBS vê fundamentos corporativos resilientes. O Brasil tem uma das maiores perspectivas de crescimento do lucro por ação entre os emergentes nos próximos dois anos, atrás apenas da Coreia do Sul e de Taiwan, beneficiados pelo avanço da inteligência artificial.
O avanço projetado também não se limita a poucas companhias: cerca de 45% das empresas do índice brasileiro devem registrar crescimento anual composto do lucro por ação superior a 20% nos próximos anos. Ao mesmo tempo, o retorno sobre o patrimônio das empresas brasileiras está próximo de máximas da última década em relação aos emergentes, enquanto o desconto de avaliação das ações está no maior nível do período.
Eleição e juros serão os próximos testes para a Bolsa
A avaliação da UBS depende de como o cenário fiscal se desenrolará após as urnas e de como isso afetará os juros. Uma continuidade da expansão fiscal combinada com taxas elevadas ainda pode pressionar as ações; já uma consolidação fiscal poderia favorecer uma reavaliação dos preços, segundo o banco.
Para quem investe, a análise destaca que o desconto da Bolsa não elimina os riscos nem assegura uma recuperação. O resultado eleitoral, as decisões fiscais posteriores e a trajetória dos juros são os próximos fatores a acompanhar. A posição favorável da UBS é uma leitura sobre o mercado brasileiro em relação aos emergentes, não uma indicação individual de investimento.
