Após a alta de 5,5% na semana encerrada em 22 de agosto de 2026, dois grandes bancos estrangeiros divulgaram avaliações sobre a conveniência de manter exposição ao ouro. O UBS projeta o metal a US$ 5.400 por onça-troy nos próximos 12 meses, enquanto o Goldman Sachs vê espaço para que a cotação supere sua estimativa de US$ 4.900 no fim de 2026, embora os dois bancos também alertem para oscilações fortes no caminho.
UBS vê apoio no endividamento e no risco cambial
O UBS afirma que o ouro voltou a atrair investidores que procuram alternativas à exposição ao dólar e ao chamado risco de duration — a possibilidade de perdas em títulos de prazo mais longo quando os juros sobem. Segundo o banco suíço, a alta mensal do metal chegou a 13% em agosto, até o momento da avaliação.
A instituição considera que preocupações com a sustentabilidade da dívida pública e com a desvalorização das moedas costumam favorecer os metais preciosos. Mesmo que a alta do petróleo mantenha as expectativas de juros elevadas no curto prazo, o aumento do endividamento e a incerteza sobre como os governos vão financiá-lo podem sustentar a procura por ouro.
Goldman projeta alta, mas destaca volatilidade
O Goldman Sachs trabalha com a hipótese de que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, mantenha os juros entre 3,50% e 3,75% até o fim de 2026. Juros estáveis ou menores reduzem a vantagem relativa de ativos que pagam remuneração, como os títulos do Tesouro americano, e podem aumentar o interesse pelo ouro, que não gera renda periódica.
Com esse cenário, o banco mantém uma projeção de US$ 4.900 por onça-troy no fim de 2026, mas afirma que há risco significativo de alta em relação a esse valor. A estimativa considera a continuidade das compras de ouro por bancos centrais e a recuperação da procura de investidores privados por fundos negociados em bolsa, conhecidos como ETFs.
Opções de compra podem ampliar altas e quedas
O Goldman também chama atenção para o aumento da procura por opções de compra de ouro, contratos que dão o direito de adquirir o metal a um preço previamente definido. Esse movimento elevou a busca por proteção contra riscos ligados às políticas econômicas globais, mas também pode intensificar os movimentos do mercado.
Quando a cotação se aproxima do preço de exercício desses contratos, instituições que venderam as opções podem precisar comprar ouro para reduzir sua exposição. Esse mecanismo tende a acelerar a alta. No sentido contrário, uma queda pode levar essas instituições a desmontar a proteção, aumentando a pressão vendedora e ampliando a baixa.
O que pode mudar as projeções dos bancos
As estimativas dependem de fatores que ainda podem se alterar, como a trajetória dos juros americanos, o comportamento do dólar, as compras oficiais de ouro e o fluxo de recursos para ETFs. Uma recuperação desses fluxos, combinada com a permanência do volume elevado de opções de compra, poderia dar ao ouro um viés ainda mais positivo, na avaliação do Goldman.
Por outro lado, a manutenção de juros elevados por mais tempo tende a aumentar a atratividade dos títulos que pagam renda e pode reduzir o interesse pelo metal. Além disso, a própria concentração de posições de proteção cria o risco de movimentos bruscos nos dois sentidos, mesmo em um cenário geral favorável.
O que o investidor deve acompanhar daqui para frente
As avaliações não representam recomendação individual de compra ou venda. Para quem já acompanha o ouro, os principais pontos de atenção são as decisões do Fed, o comportamento dos títulos americanos, a evolução do dólar e os fluxos para ETFs, além da atuação dos bancos centrais.
A combinação de alta recente, projeções otimistas e maior uso de opções indica um mercado novamente no foco dos investidores, mas também mais sensível a mudanças de expectativa. A possibilidade de valorização apontada por UBS e Goldman vem acompanhada, portanto, de risco elevado de volatilidade durante o percurso.
