O TRXF11 encerrou as tratativas para comprar lajes corporativas ligadas aos fundos BLCA11 e CVFL11, incluindo imóveis do Pátio Victor Malzoni, na Faria Lima, em São Paulo. A decisão ocorreu após mudanças nas condições de mercado impedirem o cumprimento de cláusulas previstas no acordo e foi recebida com alta de quase 6% nas cotas do fundo nesta quinta-feira (27).
Como o mercado reagiu ao fim da negociação
Por volta das 11h27, a cota do TRXF11 avançava 5,95%, a R$ 74,28. A valorização indica uma reação positiva dos investidores ao encerramento da operação, que retirou do radar do fundo uma aquisição de grande porte em um momento de expansão acelerada.
A negociação era considerada uma proposta vinculante, ou seja, um compromisso formal condicionado ao cumprimento de determinadas exigências. Como essas condições não foram atendidas diante da mudança no ambiente de mercado, o acordo foi encerrado e os imóveis continuarão nas carteiras do BLCA11 e do CVFL11.
Quais imóveis estavam no pacote
A proposta relacionada ao BLCA11 envolvia aproximadamente R$ 475 milhões e cerca de 7,4 mil metros quadrados de área corporativa. Entre os ativos estavam lajes do Pátio Victor Malzoni, empreendimento localizado na região da Faria Lima.
Já a operação com o CVFL11 previa o desembolso de R$ 557,85 milhões pela compra de 12 conjuntos do edifício Vista Faria Lima. O valor correspondia a aproximadamente R$ 48 mil por metro quadrado. Somadas, as duas transações abrangeriam cerca de 19 mil metros quadrados de área bruta locável, em imóveis de alto padrão no Itaim Bibi e na Vila Nova Conceição.
Por que a desistência não gera perda financeira imediata
O comunicado informa que o encerramento das tratativas não provoca impacto financeiro para o TRXF11 nem para seus cotistas. Na prática, o fundo não concluirá os pagamentos previstos e os ativos não serão incorporados ao portfólio, eliminando também os efeitos operacionais e financeiros que dependeriam da conclusão das compras.
Isso não significa que a estratégia de expansão tenha sido abandonada. A operação fazia parte de um movimento maior de reposicionamento do fundo, mas a administração terá de direcionar os recursos disponíveis para outras oportunidades ou ajustar o ritmo de crescimento, sem contar com os imóveis que estavam no pacote.
TRXF11 amplia a carteira enquanto prepara nova emissão
O fundo está realizando sua 13ª emissão de cotas, com previsão de captação de até R$ 5 bilhões. O volume pode chegar a R$ 10 bilhões caso seja exercido o lote adicional. A oferta prevê até 53,05 milhões de novas cotas, ao preço de R$ 94,35 cada.
Nos últimos períodos, o TRXF11 também anunciou operações envolvendo o Hotel Emiliano, no edifício do IBMEC, na Faria Lima, galpões logísticos ocupados pelo Mercado Livre, em Guarulhos, e um centro logístico em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. A estratégia ampliou a exposição do fundo a logística, varejo, educação, hotelaria e escritórios.
O que acompanhar depois da alta das cotas
O TRXF11 reúne atualmente 120 imóveis distribuídos por 60 cidades, com aproximadamente R$ 9 bilhões investidos em ativos imobiliários. Com a desistência do negócio na Faria Lima, o próximo ponto de atenção passa a ser a execução da nova emissão e a escolha dos ativos que poderão substituir, ou não, as aquisições canceladas.
Para quem acompanha o fundo, a alta de 5,95% nesta quinta-feira mostra a reação imediata à notícia, mas não define o desempenho futuro. Será necessário observar como a gestão equilibrará expansão, endividamento, distribuição de rendimentos e qualidade dos imóveis, especialmente em um portfólio que vem crescendo e se tornando mais diversificado.
