O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a pressão econômica é uma das principais armas na guerra contra o Irã, dizendo-se o “banqueiro” do país persa. Em entrevista na noite de segunda-feira, 10, ao comentarista político conservador Wayne Allyn Root, Trump declarou que Teerã já sente os efeitos das sanções e do controle financeiro, com inflação de 300% e uma moeda praticamente sem valor. A declaração ocorre em meio a um conflito que se arrasta há meses e a negociações de paz que o presidente americano diz estar conduzindo.

O que significa ser o “banqueiro” do Irã

Trump explicou que os EUA controlam o acesso do Irã ao sistema financeiro internacional, dificultando empréstimos e transações. “Controlamos o dinheiro deles, que é muito. Eu sou o banqueiro deles”, disse. Essa estratégia combina sanções econômicas, bloqueio de ativos e pressão sobre o comércio de petróleo, com o objetivo de inviabilizar a economia iraniana sem necessidade de escalada militar.

Na visão do presidente, a situação é insustentável para Teerã: além da inflação altíssima, os soldados não estão sendo pagos. “Economicamente, estão uma bagunça”, afirmou. Trump defendeu que prefere “ir levando” o conflito de forma “fácil, agradável e relaxada” enquanto a pressão econômica atua, mas não descartou retomar ataques militares “muito fortes” caso necessário.

Estoques de armas e petróleo dos EUA

Trump também rebateu críticas sobre o esgotamento dos estoques de munições americanas, acusando o ex-presidente Joe Biden de ter enviado mais de US$ 300 bilhões em armas à Ucrânia. Segundo o republicano, sua gestão está repondo os estoques “em nível recorde” e vendendo armamentos à União Europeia “no preço máximo”. Apesar da defesa, o Pentágono tem pressionado a indústria de defesa para acelerar a produção, após reportagens apontarem que os arsenais estão perigosamente baixos.

No setor de energia, Trump comparou sua gestão à de Biden e disse que as Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR, na sigla em inglês) foram levadas ao menor nível da história pelo democrata. Dados divulgados nesta semana mostram que os estoques caíram para 298,7 milhões de barris, o nível mais baixo desde janeiro de 1983. Trump afirmou que, com o fim da guerra, os preços do petróleo devem cair e permitir o reabastecimento rápido das reservas.

O que isso significa para o mercado global

A estratégia americana de usar a economia como arma de guerra tem efeitos diretos sobre o preço do petróleo e a aversão a risco nos mercados internacionais. A queda nas reservas estratégicas dos EUA, combinada com a tensão no Oriente Médio, sustenta a cotação do barril em patamares elevados, o que pressiona a inflação global e, por tabela, os preços de combustíveis no Brasil.

Para investidores, o cenário reforça a importância de acompanhar as negociações de paz e os movimentos de Trump. A ameaça de retomada de ataques militares, mesmo que secundária, pode provocar volatilidade nos mercados de commodities e nas bolsas globais. Por outro lado, uma eventual trégua ou acordo econômico poderia aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e reduzir a aversão a risco, beneficiando ativos de países emergentes, incluindo o Brasil.

O próximo passo nas negociações

Trump não detalhou as conversas com o Irã, mas indicou que o processo está em andamento. Ele também comentou sobre o apoio a Israel, afirmando que o “lobby” israelense perdeu força em Washington, especialmente entre democratas. A fala sugere que a política externa americana no Oriente Médio deve continuar guiada pela combinação de pressão econômica e negociação, com o objetivo de forçar o colapso do governo iraniano sem um confronto militar prolongado.

Para o brasileiro que investe, o desfecho desse conflito pode afetar o câmbio, a inflação importada e o desempenho de empresas ligadas a commodities. Acompanhar os próximos capítulos dessa guerra econômica é essencial para ajustar expectativas sobre juros e preços nos próximos meses.