As taxas do Tesouro IPCA+ recuaram para o menor nível desde abril nesta sexta-feira (11), com o título com vencimento em 2032 oferecendo 7,57% ao ano acima da inflação. A queda, que já vinha ocorrendo desde agosto, combina a deflação registrada no mês passado, a expectativa de cortes da Selic e mudanças na percepção de risco ligada às eleições.

Taxas dos títulos longos também recuam

Na primeira atualização do Tesouro Direto no dia, os títulos com vencimento em 2040 e 2050 ofereciam retorno real de 7,22% ao ano. A taxa real é aquela que representa o ganho acima da variação do IPCA, permitindo avaliar o rendimento preservado depois da inflação.

O movimento ocorre depois de o Tesouro IPCA+ 2032 ter chegado a pagar mais de 8% ao ano acima da inflação. Quando as taxas negociadas no mercado caem, os preços dos títulos já emitidos tendem a subir. Essa relação ajuda a explicar por que investidores que vendem antes do vencimento podem ter resultados diferentes da taxa contratada originalmente.

Deflação reforça a aposta em juros menores

O principal dado econômico divulgado nesta sexta foi o IPCA de agosto, que registrou deflação de 0,32%, ante alta de 0,07% em julho. Foi a maior queda mensal do índice desde agosto de 2022, quando a variação havia sido negativa em 0,36%.

Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,22%, dentro do limite superior de 4,5% da meta do Banco Central. A leitura de preços mais comportados reduz a pressão para que a autoridade monetária mantenha juros elevados por mais tempo, embora um único resultado mensal não determine sozinho os próximos passos do Copom.

Eleição e curva de juros influenciam o Tesouro

As taxas começaram a cair antes da divulgação do IPCA de agosto. Parte do movimento está associada às pesquisas eleitorais recentes, que indicaram perda de favoritismo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na interpretação de agentes financeiros, isso aumentou a possibilidade de uma vitória da oposição e de avanços em reformas fiscais.

Esse cenário pode reduzir parte do chamado prêmio de risco, que é a remuneração adicional exigida pelos investidores diante das dúvidas sobre a capacidade de o governo controlar a dívida pública. Como os títulos indexados à inflação são especialmente sensíveis a essa percepção, foram os que apresentaram a correção mais acentuada.

Prefixados têm ajuste mais moderado

Os títulos prefixados também tiveram queda nas taxas, mas em intensidade menor. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia 13,77% ao ano, enquanto o papel com vencimento em 2032 estava em 14,08% na primeira atualização desta sexta.

Os níveis atuais ainda não são os menores registrados na semana. Na terça-feira (8), as taxas desses dois títulos haviam recuado para 13,72% e 14,04%, respectivamente. A diferença mostra que o mercado continua oscilando conforme novas informações sobre inflação, política econômica e eleições são incorporadas aos preços.

Próximo corte da Selic será decisivo para o mercado

A expectativa predominante entre agentes financeiros é de que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima quarta-feira (16), levando a taxa para 13,75% ao ano. Algumas instituições projetam novos cortes e uma taxa terminal de 13,25% ainda neste ano.

Essa trajetória já aparece na curva de juros futuros, referência para as taxas do Tesouro Direto. Porém, o movimento pode perder força se as pesquisas eleitorais mudarem, se o petróleo continuar pressionado pela guerra no Oriente Médio ou se a inflação voltar a acelerar. Para quem investe, consome ou trabalha, os próximos dados de preços e a decisão do Copom serão importantes porque juros menores tendem a baratear o crédito gradualmente, enquanto uma inflação persistente limita esse alívio.

Impacto para a sociedade

A queda dos juros reais pode reduzir o custo de novos empréstimos e financiamentos caso a trajetória de cortes da Selic se confirme, mas esse efeito costuma aparecer gradualmente. A deflação de agosto também alivia, no curto prazo, a pressão sobre o custo de vida, embora petróleo e decisões futuras do Banco Central ainda possam alterar esse cenário.