As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto recuaram nesta quinta-feira (3) ao menor patamar desde maio, acompanhando a queda dos juros futuros no mercado brasileiro. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia 13,86% ao ano, enquanto o movimento também reduziu os retornos dos papéis indexados à inflação, em uma reação ligada ao chamado trade eleitoral.

Prefixados voltam aos níveis observados em maio

Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 pagava 13,86% ao ano, taxa que não era vista desde maio. O papel com vencimento em 2032 oferecia 14,23% ao ano. A última vez em que esse título esteve próximo desse nível foi também em maio, quando chegou a 13,99%.

O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 apresentava retorno de 14,30% ao ano. Nos prefixados, o investidor conhece previamente a taxa contratada, desde que mantenha o título até o vencimento. No entanto, o preço do papel oscila antes disso conforme mudam as expectativas para os juros.

Juros reais também recuam nos títulos ligados ao IPCA

Os papéis que protegem o investimento contra a inflação também registraram queda nas taxas. O Tesouro IPCA+ 2032 oferecia retorno de IPCA mais 7,93% ao ano, abaixo do pico recente de 7,78% observado em maio, segundo o histórico apresentado.

Nos vencimentos mais longos, o Tesouro IPCA+ 2040 pagava IPCA mais 7,41% ao ano, ante 7,25% em junho. O Tesouro IPCA+ 2050 oferecia IPCA mais 7,26%, próximo dos 7,25% registrados em julho. A taxa indicada nesses títulos é real: representa o ganho acima da inflação medida pelo IPCA.

Como o trade eleitoral influencia os títulos públicos

O trade eleitoral é a antecipação, pelos investidores, de possíveis efeitos da disputa presidencial sobre juros, inflação e contas públicas. Com a corrida eleitoral ganhando força a cerca de um mês das eleições, o mercado passou a ajustar os preços dos ativos conforme novas pesquisas e avaliações sobre os candidatos.

Na quarta-feira (2), a pesquisa Quaest mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 29% de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, Lula apareceu com 42% e Flávio com 41%; a diferença caiu de três para um ponto percentual, mantendo o empate técnico.

O movimento ocorre ainda em meio às repercussões do caso Master envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal. Nesta quinta-feira, uma nova pesquisa PoderData/Aya também influenciou as avaliações do mercado, embora os dados disponíveis não apresentem o resultado completo do levantamento.

O que muda com a queda das taxas do Tesouro Direto

Quando as taxas exigidas pelo mercado caem, os títulos públicos já emitidos tendem a se valorizar, porque passam a oferecer uma remuneração relativamente mais atrativa em relação aos papéis novos. Esse efeito aparece para quem negocia o investimento antes do vencimento; para quem mantém o título até a data final, prevalecem as condições contratadas na compra.

A queda dos juros futuros também sinaliza uma redução das expectativas de custo de financiamento adiante. Isso pode influenciar o preço de ativos de risco e as condições de crédito, embora não represente, por si só, uma decisão do Copom de alterar a Selic.

O que observar até as eleições

Para quem investe, o ponto central é que as taxas do Tesouro Direto podem mudar diariamente conforme pesquisas eleitorais, expectativas fiscais e projeções para a política monetária. Nesta quinta-feira, além do Prefixado 2029 a 13,86%, o Tesouro Selic 2031 oferecia Selic mais 0,0729% ao ano.

Os próximos ajustes dependerão da leitura do mercado sobre a disputa presidencial e seus possíveis impactos econômicos. Como os preços e as taxas variam ao longo do pregão, as condições apresentadas nesta quinta-feira (3) não são necessariamente permanentes.