Na abertura desta segunda-feira (10), as taxas dos títulos do Tesouro Direto recuaram na comparação com o fechamento da sexta-feira (7), acompanhando o alívio no exterior com a expectativa de avanço nas negociações para a reabertura total do Estreito de Ormuz. No cenário doméstico, a nova edição do Boletim Focus reduziu a projeção de inflação para 2026 a 5,02%, na sexta semana consecutiva de queda – ainda acima do teto da meta. Enquanto isso, o mercado observa o crescimento dos ETFs de renda fixa como uma alternativa para quem busca reserva de emergência com custo potencialmente menor.

O movimento das taxas no Tesouro Direto

Entre os títulos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 passou de 14,10% para 14,09% ao ano. O Prefixado 2032 subiu marginalmente, de 14,43% para 14,47%, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou de 14,49% para 14,54%. No segmento atrelado à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 caiu de IPCA + 8,16% para IPCA + 8,08%, e o IPCA+ 2040 recuou de 7,63% para 7,66%. Papéis mais longos, como o IPCA+ 2050 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2060, tiveram leve alta, para 7,39% e 7,48%, respectivamente.

A combinação entre inflação doméstica, sinalizações do Copom e o cenário externo deve continuar ditando o comportamento da curva de juros e, consequentemente, das taxas oferecidas pelo Tesouro Direto nos próximos dias.

ETFs de renda fixa: uma alternativa para a reserva de emergência

Além dos títulos públicos, o mercado passa a contar com ETFs de renda fixa que replicam índices compostos majoritariamente por Tesouro Selic, com uma pequena parcela de Tesouro IPCA+ de longo prazo (até 10% do portfólio). Esses fundos de índice, negociados na B3, seguem a variação da taxa básica de juros quase integralmente, mas oferecem algumas vantagens de custo e tributação em relação ao investimento direto em títulos ou a CDBs que pagam 100% do CDI.

Exemplos de produtos nesse formato, oferecidos por gestoras como BTG Pactual Asset, Investo, XP Asset, Itaú Asset e AUVP, incluem os tickers LIQB11, LFTB11, LTBX11, CDIB11 e AUPO11. Eles não cobram IOF nem come-cotas, e possuem alíquota de Imposto de Renda única de 15% – que pode ser mais baixa que a tabela regressiva tradicional da renda fixa, que varia de 22,5% a 15% conforme o prazo.

Como funciona a tributação dos ETFs de renda fixa

Nos fundos de índice de renda fixa, o IR é cobrado somente na venda das cotas, diretamente na fonte, com alíquota fixa de 15%, independentemente do tempo de permanência. Isso contrasta com o investimento em CDBs ou títulos do Tesouro Direto, onde a alíquota regressiva começa em 22,5% para resgates em até 180 dias e chega a 15% apenas após 721 dias. Para quem tem horizonte de curto prazo, a vantagem dos ETFs pode ser significativa, embora seja importante considerar outros fatores como liquidez e oscilação de preço.

Os ETFs de renda fixa não têm o mesmo comportamento das ações: a oscilação das cotas reflete o movimento dos juros e da inflação, seguindo a lógica dos títulos que compõem suas carteiras. São, portanto, investimentos de renda fixa, com risco de crédito baixo, mas que podem apresentar pequena volatilidade no curto prazo.

O que acompanhar nesta semana

A agenda econômica ganha força na terça-feira (11), com a divulgação do IPCA de julho e da ata da última reunião do Copom, que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. As sinalizações do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária serão decisivas para a direção das taxas e para a avaliação de quem quer montar ou ajustar a reserva de emergência, seja com títulos públicos ou com os ETFs de renda fixa.

Para o investidor, a escolha entre Tesouro Selic, CDB e ETF deve considerar o prazo, a liquidez e a tributação de cada um. Não há recomendação universal – a decisão depende do perfil e dos objetivos de cada um, mas a comparação de custos e impostos é sempre um bom ponto de partida.