O Stoxx 600, principal índice acionário europeu, recuava 0,07%, aos 649,43 pontos, por volta das 8h30 (de Brasília) desta segunda-feira (7). O movimento refletia a queda das ações de alguns setores, especialmente farmacêuticas, enquanto empresas de tecnologia avançavam; ao mesmo tempo, a alta do petróleo após novas tensões entre Estados Unidos e Irã mantinha os investidores cautelosos.
Tecnologia tenta compensar pressão sobre energia
As ações ligadas à cadeia de semicondutores sustentavam os mercados europeus, acompanhando ganhos observados na Ásia e o interesse por empresas expostas ao avanço da inteligência artificial. Em Amsterdã, a fabricante de equipamentos para chips ASML subia 1,1%, enquanto a ASM International avançava 2,2%.
O desempenho mostra uma disputa entre dois vetores. De um lado, a expectativa de crescimento associado à tecnologia favorece empresas que fornecem componentes e equipamentos para inteligência artificial. De outro, a valorização do petróleo eleva os custos de transporte e produção, o que pode reduzir margens de companhias e alimentar preocupações com a inflação.
Petróleo sobe com risco no Estreito de Ormuz
O petróleo Brent chegou a US$ 97,93 por barril durante a madrugada, maior nível em cerca de dois meses. A alta ocorreu após novos ataques e ameaças envolvendo Estados Unidos e Irã no fim de semana, além da sinalização de Teerã de que poderá anunciar uma zona restrita próxima a uma importante rota marítima.
O temor é de que a medida prejudique o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz, elevando o chamado prêmio geopolítico — valor adicional incorporado ao preço da commodity diante do risco de interrupção da oferta. O subíndice de energia do Stoxx 600 avançava 1,3%, beneficiado pela alta do petróleo, mas o ganho do setor não era suficiente para levar o índice geral ao terreno positivo.
PIB da zona do euro supera previsão
No cenário econômico, o Produto Interno Bruto da zona do euro cresceu 0,6% no segundo trimestre em relação aos três primeiros meses do ano, acima do esperado. Um crescimento mais forte tende a apoiar empresas cíclicas, mas também pode influenciar a avaliação dos próximos passos do Banco Central Europeu.
Na Alemanha, a produção industrial recuou em julho, pressionada pela fraqueza do setor automotivo. O ambiente político também adicionava incerteza após a vitória do partido de extrema-direita AfD em eleições estaduais, movimento que aumenta a pressão sobre o governo de Friedrich Merz e sobre as discussões envolvendo reformas.
BCE concentra atenção dos investidores
A principal agenda da semana é a decisão de juros do BCE. O mercado trabalha com uma alta de 25 pontos-base, equivalente a 0,25 ponto percentual, mas o foco está no tom do comunicado e nas indicações para as próximas reuniões.
Juros mais altos encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo e o investimento, mas podem ser usados para conter pressões inflacionárias. Por isso, qualquer sinal sobre a duração do ciclo de aperto pode alterar a cotação de ações, títulos e do euro.
Índices têm desempenhos diferentes na Europa
Às 8h50, Londres subia 0,24%, enquanto Frankfurt caía 0,36% e Paris avançava 0,07%. Milão recuava 0,03%, Lisboa ganhava 0,46% e Madri tinha baixa de 0,17%.
A liquidez global estava reduzida pelo feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos. Com menos negócios, as oscilações podem refletir de forma mais intensa as notícias sobre petróleo, tecnologia e a expectativa pela decisão do BCE. Para quem acompanha os mercados, esses fatores devem continuar definindo o equilíbrio entre busca por crescimento e proteção contra riscos geopolíticos.
