O setor de stablecoins encolheu pela primeira vez desde 2023 no segundo trimestre de 2026, apesar de os mercados preditivos terem crescido 48,7% no mesmo período. O valor total das moedas digitais lastreadas em ativos caiu 1,6%, para US$ 305,1 bilhões, enquanto contratos ligados a eventos esportivos puxaram a expansão de outra frente do mercado cripto.
Valor das stablecoins cai para US$ 305,1 bilhões
As stablecoins são criptoativos desenvolvidos para manter valor relativamente estável, normalmente por meio de reservas em moedas, títulos ou outros ativos. Elas são usadas em negociações, transferências e como instrumento de liquidez dentro do mercado de criptomoedas.
A retração de 1,6% entre abril e junho interrompeu uma sequência de expansão que vinha desde 2023. A maior saída líquida ocorreu na USDC, emitida pela Circle. Já a USDT, da Tether, permaneceu praticamente estável e ampliou sua participação para cerca de 60% do mercado.
Juros mais atraentes pressionam stablecoins de rendimento
Entre as categorias mais afetadas ficaram as stablecoins de rendimento, como USDS e USDe. Esses ativos oferecem retornos aos investidores, mas perderam atratividade à medida que os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries, alcançaram níveis mais interessantes e considerados menos arriscados.
O mecanismo é relativamente direto: quando um investimento tradicional oferece remuneração maior com menor percepção de risco, diminui o incentivo para buscar produtos digitais que dependem de estruturas mais complexas para gerar retorno. A queda foi mais expressiva justamente nesses ativos, enquanto a USDT se manteve mais resiliente.
Mercados preditivos movimentam US$ 113,8 bilhões
Na direção oposta às stablecoins, o volume nocional dos mercados preditivos avançou 48,7% no segundo trimestre, para US$ 113,8 bilhões. Esse tipo de plataforma permite negociar contratos baseados no resultado esperado de eventos, como partidas esportivas e disputas eleitorais.
O crescimento se concentrou principalmente em grandes competições esportivas: a final da Liga dos Campeões da Europa, Roland-Garros, o encerramento da temporada da NBA e o início da Copa do Mundo da Fifa. Em junho, o volume chegou a US$ 52,8 bilhões, quase o dobro da média registrada nos cinco meses anteriores.
Kalshi amplia liderança e Polymarket perde espaço
A Kalshi aumentou sua participação de mercado de 42,4% no primeiro trimestre para 58,9% no segundo. No mesmo intervalo, a Polymarket recuou de 35,8% para 30,2%, mostrando uma mudança na disputa entre as principais plataformas.
Na Polymarket, os contratos esportivos representaram 81% do volume em junho, contra aproximadamente 40% em janeiro. A Rothera, joint venture formada por Robinhood e Susquehanna, também ganhou espaço rapidamente e alcançou a quarta posição do segmento poucos meses após o lançamento.
O que o movimento indica para quem acompanha cripto
Os dados mostram que o mercado cripto não avançou de maneira uniforme no segundo trimestre. Enquanto a base de stablecoins diminuiu, a negociação de contratos sobre eventos específicos acelerou, impulsionada por uma agenda esportiva intensa e pela concentração de volume em poucas plataformas.
Para quem investe, o ponto de atenção é a diferença entre crescimento de atividade e expansão estrutural do mercado. O próximo acompanhamento envolve saber se a retração das stablecoins foi pontual ou se os juros dos Treasuries continuarão desviando recursos das moedas de rendimento, além de verificar se o aumento dos mercados preditivos persistirá depois dos grandes eventos esportivos.
