A participação das stablecoins de dólar no volume negociado do Mercado Bitcoin saltou de 4,1% no primeiro semestre de 2024 para quase 30% no mesmo período de 2026. O avanço mostra que esses ativos, criados para acompanhar o valor do dólar, deixaram de ocupar um espaço marginal nas negociações de criptoativos e passaram a ser usados por uma parcela maior dos investidores para diversificação e exposição à moeda americana.
Participação cresceu mais de sete vezes em dois anos
Em termos proporcionais, a fatia das stablecoins de dólar ficou mais de sete vezes maior entre os primeiros semestres de 2024 e 2026. O movimento ocorre dentro de uma expansão mais ampla desse mercado: o conjunto global de stablecoins já movimenta mais de US$ 320 bilhões e cresceu cerca de 480 vezes nos últimos seis anos.
As stablecoins são tokens digitais cuja cotação busca permanecer próxima de uma moeda de referência, neste caso o dólar. Na prática, elas permitem manter uma posição digital atrelada à moeda americana e negociar dentro do ambiente de criptoativos, sem a mesma exposição direta às oscilações de ativos como o bitcoin.
Investidores antigos também ampliaram o uso
O crescimento não veio apenas da chegada de novos participantes. Dados do Mercado Bitcoin indicam que os clientes que já mantinham dólares digitais passaram a movimentar 71,4% mais nessas moedas. A plataforma afirma ter 4 milhões de clientes.
Além disso, um em cada cinco investidores que negociam criptoativos já movimenta stablecoins de dólar. O dado sugere uma mudança no comportamento de parte da base: em vez de concentrar a demanda em ativos de maior volatilidade, investidores passaram a utilizar instrumentos associados ao dólar para compor suas operações.
Busca por proteção influencia a demanda
De acordo com Giresse Contini, diretor do Mercado Bitcoin, o perfil do investidor em ativos digitais mudou nos últimos anos, com maior interesse por alternativas que ofereçam exposição ao dólar e ao ouro de maneira simples e acessível.
A dolarização de parte do patrimônio é uma estratégia usada por investidores que querem reduzir a concentração de recursos em ativos ligados à economia brasileira. Quando o real se desvaloriza, uma posição atrelada ao dólar pode variar em sentido diferente de investimentos denominados em reais. Isso, porém, não elimina os riscos próprios do ativo digital nem transforma a stablecoin em uma aplicação de renda fixa.
Ouro digital também ganha espaço
A procura por alternativas de menor volatilidade relativa não se limita às moedas digitais. O USDT, outra stablecoin atrelada ao dólar, e os tokens XAUT e PAX Gold, vinculados ao preço do ouro, aparecem entre as opções disponíveis para diversificação no mercado de criptoativos.
Esses produtos ampliam o acesso digital a referências tradicionais de proteção patrimonial. A negociação pode ocorrer 24 horas por dia e, segundo Contini, não exige a abertura de uma conta no exterior, o que reduz etapas operacionais para quem deseja ter exposição a dólar ou ouro por meio de uma plataforma de ativos digitais.
O que o avanço representa para quem investe
O aumento da participação das stablecoins indica que o mercado cripto está sendo usado não apenas para buscar valorização, mas também para administrar exposição cambial e diversificar carteiras. A mudança é relevante porque ocorre entre clientes que já estavam no ecossistema e passaram a movimentar mais esses ativos.
Para o investidor, o próximo passo é acompanhar como essa demanda evoluirá e entender as diferenças entre uma stablecoin de dólar, um ativo de risco elevado e uma exposição tradicional à moeda americana. A escolha envolve liquidez, funcionamento do token e riscos da plataforma, e deve ser avaliada de acordo com os objetivos e a tolerância a perdas de cada pessoa.
