Apenas 4% dos entrevistados pelo Datafolha afirmam que as acusações envolvendo Alexandre de Moraes afetaram seu voto, enquanto 85% dizem que a preferência eleitoral permaneceu inalterada. O resultado indica que, apesar da repercussão política da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o episódio teve alcance limitado sobre a decisão da maioria dos eleitores.

Maioria manteve a escolha mesmo após o caso

A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades entre 8 e 10 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o que significa que os resultados representam uma fotografia do eleitorado nesse período, e não uma previsão definitiva da eleição.

Além dos 4% que afirmaram ter mudado de ideia, 7% disseram ter ficado em dúvida sobre em quem votar por causa do episódio. O percentual chegou a 8% entre os eleitores que declararam intenção de voto em Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno e a 5% entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro.

Conhecimento sobre Moraes e Vorcaro ainda é desigual

O caso envolve Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As notícias ganharam força em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça revelou um relatório sigiloso com detalhes da relação entre o magistrado e o banqueiro.

Embora 66% tenham dito que conheciam o episódio, somente 26% se consideraram bem informados. O conhecimento foi maior entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, com 75%, do que entre os eleitores de Lula, com 61%. A diferença sugere que a exposição ao tema varia conforme a preferência política e o grau de atenção dado às acusações.

Acusações contra Mendonça também tiveram pouco efeito

As suspeitas relacionadas a André Mendonça não alteraram a intenção de voto de 86% dos entrevistados. O ministro é associado ao bolsonarismo por ter sido ministro da Justiça durante o governo Jair Bolsonaro, que o indicou para o STF.

O nível de conhecimento sobre esse segundo conjunto de acusações foi menor: 45% disseram conhecer o teor das suspeitas, e 22% desse grupo afirmaram estar bem informados. Entre os bolsonaristas, 60% conheciam o caso, ante 37% entre os lulistas. A parcela que ficou em dúvida foi de 5% entre os eleitores de Flávio e de 7% entre os apoiadores de Lula.

Disputa no Supremo segue em novas frentes

A crise começou a envolver decisões conflitantes entre ministros. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral e do chefe de inteligência da Polícia Federal, mas o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as medidas. Fachin marcou para 15 de setembro uma sessão para discutir a conduta de Moraes.

O embate também inclui a abertura de documentos do caso Banco Master. Depois de Mendonça retirar o sigilo de parte do processo, Fachin determinou a liberação de todos os dados, a pedido de Moraes e de outros ministros. A decisão trouxe novas informações sobre o caso e sobre autoridades citadas nos documentos.

O que o resultado sinaliza para eleitores e investidores

O levantamento mostra que a crise tem relevância política, mas ainda não se converteu em mudança ampla nas preferências eleitorais. A associação feita por Flávio Bolsonaro entre Lula e Moraes, assim como as acusações contra Mendonça, alcançou grupos específicos, sem alterar a escolha da maior parte da amostra.

Para quem investe, trabalha ou consome, a pesquisa não indica mudança direta em juros, inflação, emprego, impostos ou crédito. O próximo ponto de atenção é a sessão do STF em 15 de setembro e seus possíveis efeitos sobre a disputa política. A sondagem, porém, mede a intenção de voto e não permite concluir, sozinha, que haverá impacto imediato sobre a economia ou os mercados.