Apenas 10% dos assessores de investimento dizem que seus clientes planejam aumentar a alocação em renda variável em agosto, uma queda de 11 pontos percentuais em relação a julho. Ao mesmo tempo, a projeção média para o Ibovespa no fim de 2026 recuou de 184 mil para 172 mil pontos. Os dados mostram que a cautela avançou entre investidores atendidos pela rede da XP em meio à queda recente da Bolsa e ao aumento das incertezas políticas e eleitorais.
Maioria prefere manter a carteira como está
A parcela de assessores que relata intenção dos clientes de reduzir a exposição à renda variável subiu de 14% para 17% entre julho e agosto, atingindo o maior nível desde janeiro de 2025. A maior parte, porém, não pretende fazer mudanças: 73% planejam manter a alocação atual, alta de 9 pontos percentuais no mês e a segunda maior marca da série histórica.
O resultado sugere mais uma postura de espera do que uma saída generalizada da Bolsa. Em momentos de maior incerteza, investidores tendem a adiar novas compras e preservar posições já montadas até que haja maior clareza sobre juros, resultados empresariais e o cenário eleitoral.
Projeções para o Ibovespa ficam mais concentradas em níveis baixos
A faixa de 150 mil a 170 mil pontos passou a ser a mais citada para o Ibovespa ao fim de 2026, mencionada por 45% dos entrevistados, avanço de 29 pontos percentuais em relação a julho. Outros 36% projetam o índice entre 170 mil e 190 mil pontos, seis pontos abaixo da leitura anterior.
Nos extremos, 50% dos assessores agora esperam o índice abaixo de 170 mil pontos no fim do ano, ante 18% um mês antes. Já a parcela que prevê mais de 200 mil pontos caiu para 2%, recuo de 11 pontos percentuais. Na manhã de 26 de agosto, o Ibovespa rondava os 176 mil pontos, acima da média projetada na pesquisa.
Incerteza eleitoral vira risco central para as carteiras
A pesquisa foi realizada entre 7 e 23 de agosto e reuniu 103 respostas. Para 63% dos assessores, o cenário eleitoral já exerce algum impacto sobre as carteiras, contra 57% em dezembro de 2025. Em 30% dos casos, os clientes já se posicionam de forma relevante considerando as eleições; em dezembro, essa fatia era de 22%.
Os riscos fiscais continuam liderando as preocupações, citados por 79% dos respondentes, alta de 6 pontos percentuais. A instabilidade política e eleitoral aparece em seguida, com 71%, avanço de 8 pontos e o maior nível da série. Juros domésticos acima do esperado foram mencionados por 41%.
Por que os juros influenciam o apetite por ações
Quando os juros permanecem elevados, aplicações de renda fixa oferecem uma remuneração mais competitiva e previsível, reduzindo a necessidade de assumir o risco adicional da Bolsa. Além disso, taxas maiores encarecem o crédito, podem desacelerar o consumo e diminuem o valor presente dos lucros futuros das empresas, pressionando os preços das ações.
Esse mecanismo ajuda a explicar a preferência por cautela, embora a alocação efetiva tenha mudado pouco. A parcela de carteiras com até 10% em renda variável caiu para 50%, enquanto a faixa entre 10% e 25% subiu para 35%; juntas, essas faixas ainda representam 85% das respostas.
O que acompanhar daqui para frente
A nota média dada pelos assessores para a Bolsa caiu de 6,6 para 5,7, em uma escala de zero a dez. Apenas 43% atribuíram nota 7 ou superior, contra 59% em julho, enquanto 44% deram nota 5 ou menor, 20 pontos acima da leitura anterior.
Para que o apetite por risco melhore, 67% apontaram uma mudança de rumo na política econômica como principal fator, à frente de cortes de juros no Brasil, citados por 59%. A evolução do quadro fiscal, das eleições, dos juros e dos resultados das empresas será decisiva para saber se a cautela representa apenas uma pausa ou uma redução mais duradoura da exposição à Bolsa.
