As ações da Smart Fit (SMFT3) caíram quase 8% após a divulgação do balanço do segundo trimestre, com investidores preocupados com a piora nas academias brasileiras. O CEO Diogo Corona rebate: para ele, o mercado ainda precifica a companhia como uma empresa 100% brasileira e ignora o fato de que mais da metade do resultado já vem das operações internacionais e do Total Pass, o que funcionaria como um proteção natural contra a volatilidade local.
O que diz o balanço e o que o mercado viu
O atrito no trimestre foi o desempenho das academias no Brasil, que ficou aquém do esperado. Investidores reagiram à velocidade dessa deterioração e derrubaram o papel. A companhia, por outro lado, destaca que o resultado consolidado veio em linha com a estratégia de longo prazo.
No período, a receita líquida cresceu 22% e o EBITDA avançou 24%, com margem recorde de 32,7%. O lucro recorrente subiu 8%, para R$ 204 milhões. Para a gestão, esses números provam que o ecossistema formado pelas academias, pelo agregador Total Pass e pelos estudios boutique da Bion está funcionando como planejado.
Por que o CEO fala em mercado “punindo o Brasil”
Diogo Corona afirma que a empresa é precificada como uma companhia brasileira toda a vez que um evento doméstico negativo ocorre. “Nossos custos de capital são menores que o CDI, porque captamos em outros países. Mas somos precificados como brasileiros”, diz.
Essa percepção, de acordo com o CEO, ignora a transformação recente: a Smart Fit deixou de ser uma rede de academias para se tornar uma plataforma multinacional de bem-estar, com presença em 16 países. Mais de 50% do resultado já nasce fora do Brasil, e essa proporção caminha a caminho de crescer.
O Total Pass como proteção natural
Um dos pontos mais estratégicos apresentados é o papel do agregador de academias. Diogo evita a tese de que o Total Pass canibaliza as próprias unidades. Para ele, funciona como um garantia natural: se o resultado das academias piora, o agregador melhora e compensa o efeito.
“Temos um hedge natural, que é o agregador. E controlamos a relação com esse intermediador”, explicou. A companhia admite, não menos, que essa mudança dificulta a análise para investidores: o negócio de academias é recorrente por ser baseado em mensalidades, enquanto o agregador sofre maiza com a sazonalidade, o que gera ruído na leitura dos resultados trimestrais.
Expansão e desafios por mercado
O pé no acelerador continua, mas com uma lupa mais fina sobre o retorno de cada nova unidade. Os mercados maduros como Perú, Costa Rica e Panamá já mostram sinais de saturação; em compensação, a empresa acelera na argentina e aposta na construção de marca nos estúdios Bion.
Para o CEO, esse mix de geografias e modelos de negócio é uma fortaleza, não um risco. “Se não tivéssemos feito isso, o grupo teria piorado”, resume.
O que o investidor precisa réguar daqui em diante
O principal ponto de observação é se a companhia vai conseguir convencer o mercado a trocar a espezinha da operação brasileira pelo retrato do terreno consolidado. A evolução da proporção da receita internacional e o comportamento do Total Pass ao longo dos próximos trimestres devem ser decisivos nessa mudança cultural da base de acionistas.
Se os recordes de receita, expansão e margem seguirem acompanhando a diversificação geográfica, a ação pode passar a negociar menos como uma empresa cíclica local e mais como uma plataforma de bem-estar com presença global. Em contrapatida, qualquer entrave no mercado doméstico seguirá submetendo a cotação à estrutura brasileira — independentemente do tamanho das outras operadoras.
