As empresas de serviços não financeiros empregaram 15,9 milhões de pessoas em 2024, com remuneração média equivalente a 2,2 salários mínimos. Considerando o mínimo de R$ 1.412 vigente naquele ano, isso corresponde a cerca de R$ 3,1 mil por mês. O setor também adicionou R$ 2,1 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), mostrando sua importância para o emprego, a renda e a atividade econômica.
Alimentação lidera a geração de empregos no setor
Os dados fazem parte da Pesquisa Anual de Serviços, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento considerou 1,9 milhão de empresas ativas, que pagaram R$ 644,2 bilhões em salários e outras remunerações, incluindo férias e comissões, ao longo de 2024.
As atividades de alimentação, que incluem restaurantes, bares e bufês, concentraram a maior parcela da mão de obra: 1,9 milhão de trabalhadores, ou 11,7% do total. Na sequência vieram os serviços técnico-profissionais, como consultorias de informática, auditorias, empresas contábeis e escritórios jurídicos, com 1,8 milhão de pessoas, equivalentes a 11,2% dos postos.
Transporte e tecnologia concentram os maiores salários
A remuneração média do setor esconde diferenças expressivas entre as atividades. O transporte dutoviário pagou o maior salário médio, equivalente a 21,1 mínimos, ou cerca de R$ 29,8 mil mensais pelos valores de 2024. O transporte aquaviário veio depois, com 6,9 mínimos, seguido pelo transporte aéreo, com 6,6.
Também apareceram entre as dez atividades mais bem remuneradas o transporte ferroviário e metroferroviário, com 5,5 mínimos, e a tecnologia da informação, com 5,2. De acordo com o analista do IBGE Marcelo Miranda, a remuneração do transporte dutoviário pode estar relacionada à alta exigência de qualificação técnica e aos riscos da atividade. Esse segmento, porém, empregava apenas 6,5 mil pessoas.
Áreas que mais empregam pagam abaixo da média
A diferença entre volume de vagas e remuneração fica clara no caso da alimentação. Embora seja a maior empregadora, a atividade pagou em média 1,4 salário mínimo em 2024, abaixo da média geral de 2,2 mínimos. Já os serviços técnico-profissionais pagaram 2,56 salários mínimos mensais.
Outras áreas com participação relevante no emprego foram serviços de escritório e apoio administrativo, com 8,3% dos postos; transporte rodoviário de cargas, com 8,1%; serviços para edifícios e atividades paisagísticas, com 7,9%; e seleção, agenciamento e locação de mão de obra, com 6,3%. Tecnologia da informação respondeu por 5,6% da mão de obra.
O que os dados indicam para a economia
O setor analisado inclui educação, advocacia, imobiliárias, restaurantes, salões de beleza, tecnologia, telecomunicações, transportes, turismo e vigilância. Bancos e outras atividades financeiras ficam fora da pesquisa. Em média, cada empresa de serviços tinha oito funcionários em 2024, embora os segmentos ferroviário, metroviário, dutoviário e aéreo apresentassem empresas de porte muito maior.
O IBGE interrompeu a série histórica da pesquisa por causa de mudanças na metodologia e na forma de obtenção dos dados. Por isso, os números de 2024 não podem ser comparados diretamente com edições anteriores para calcular crescimento ou queda do emprego e da remuneração.
O que vem a seguir para trabalhadores e investidores
Para trabalhadores, o retrato mostra um mercado amplo, mas com remunerações bastante diferentes conforme a qualificação, o risco e a especialização exigidos. Para investidores e analistas, a contribuição de R$ 2,1 trilhões ao PIB reforça que o desempenho dos serviços é relevante para acompanhar a atividade doméstica, ainda que a pesquisa, sozinha, não indique o comportamento futuro de empresas ou ativos.
O próximo acompanhamento deverá considerar como emprego, renda e consumo evoluem nas diferentes áreas de serviços. Como a pesquisa não permite comparação com a edição anterior, novas divulgações e outros indicadores econômicos serão necessários para identificar tendências de expansão ou enfraquecimento do setor.
Impacto para a sociedade
O levantamento mostra onde estão concentradas muitas das oportunidades de trabalho no país e revela a diferença de remuneração entre as atividades. Para quem trabalha ou consome serviços, os dados ajudam a dimensionar o peso de restaurantes, transportes, tecnologia, segurança e outras áreas na geração de renda e na economia brasileira.
