A revisão da projeção para a Selic no fim de 2026, de 14% para 13,25%, abriu espaço para a discussão sobre ETFs de prefixados como alternativa de exposição à queda dos juros. A XP passou a projetar novos cortes a partir de setembro, citando sinais de desaceleração da atividade e melhora dos indicadores de inflação, mas o desempenho desses fundos dependerá principalmente do comportamento das taxas futuras.
Por que a projeção de Selic menor favorece os prefixados
Os títulos prefixados têm uma taxa de remuneração definida no momento da compra. Quando o mercado passa a exigir juros menores para títulos semelhantes, os papéis antigos, contratados a taxas mais altas, tendem a se tornar mais valiosos. Esse mecanismo é chamado de marcação a mercado.
Isso significa que os ETFs podem se beneficiar antes de a Selic efetivamente chegar a 13,25%. Basta que as expectativas para os juros futuros recuem. Nesse cenário, as cotas dos fundos podem subir, mesmo que a taxa básica ainda permaneça em patamar elevado.
A dinâmica é diferente da de investimentos pós-fixados, que acompanham mais diretamente a Selic e tendem a continuar entregando rendimentos elevados enquanto os juros permanecerem altos. Se os cortes forem confirmados, esses retornos podem diminuir gradualmente, enquanto os prefixados ganham potencial de valorização pela reprecificação dos títulos.
IDKA11 e 5PRE11 têm sensibilidades diferentes
Entre os ETFs citados estão o IDKA11 e o 5PRE11, ambos administrados pela Itaú Asset, mas com estratégias distintas. O IDKA11 acompanha o índice IRF-M P3, da Anbima, formado por títulos públicos prefixados, como LTN e NTN-F, com prazo médio de repactuação de pelo menos três anos.
Na prática, o fundo oferece uma exposição intermediária à curva de juros prefixados. Já o 5PRE11 acompanha o índice Teva ITBR Pré 5 Anos, composto por títulos públicos prefixados e estruturado para manter duration próxima de cinco anos.
Prazo maior aumenta tanto o potencial quanto o risco
Duration é uma medida aproximada da sensibilidade do preço de um título às mudanças nas taxas de juros. Quanto maior esse prazo, maior tende a ser a reação do ativo quando os juros sobem ou caem.
Por isso, em um ciclo de cortes mais rápido e consistente, o 5PRE11 pode registrar valorização superior à do IDKA11. A mesma característica, porém, amplia as perdas potenciais se as taxas futuras voltarem a subir. O IDKA11, com duration próxima de três anos, tende a oferecer uma exposição menos alongada e, portanto, menos sensível às oscilações da curva.
Inflação e risco fiscal podem interromper o movimento
A projeção de Selic a 13,25% não garante alta para os ETFs de prefixados. O mercado pode já ter antecipado parte desse cenário, limitando a reação das cotas quando os cortes forem efetivamente anunciados.
Uma desaceleração mais persistente da inflação e uma atividade econômica mais fraca podem favorecer a queda das taxas futuras. Por outro lado, uma piora das expectativas de inflação, o aumento da percepção de risco fiscal ou uma economia mais resistente podem elevar novamente os juros negociados no mercado e pressionar os preços dos títulos.
O que observar antes de avaliar os ETFs
Para quem acompanha essa estratégia, o ponto central não é apenas o nível projetado para a Selic, mas a trajetória dos juros futuros. Também importa a velocidade dos cortes esperados e a confiança do mercado de que a inflação continuará desacelerando.
O IDKA11 e o 5PRE11 permitem acessar uma carteira diversificada de títulos públicos prefixados sem escolher individualmente cada vencimento. A decisão, contudo, envolve aceitar oscilações nas cotas: o ETF de prazo mais longo tende a reagir mais intensamente tanto a uma queda quanto a uma alta das taxas.
Impacto para a sociedade
A perspectiva de queda da Selic pode reduzir, ao longo do tempo, o rendimento de aplicações pós-fixadas e influenciar o custo de empréstimos e financiamentos. Como a projeção depende da inflação e das condições econômicas, mudanças no cenário também podem afetar o crédito, o consumo e o orçamento das famílias.
