Relatórios de mercado identificaram seis ações com potencial de retorno médio em proventos superior a 14% ao ano em um cenário de Selic elevada. O levantamento considera a média do dividend yield (DY) entre 2023 e 2025, indicador que relaciona os dividendos pagos ao preço da ação, e busca separar empresas com histórico mais consistente de distribuições de casos pontuais.

Quais ações aparecem entre as maiores pagadoras

A Grendene (GRND3), do setor têxtil, lidera a lista, com DY médio de 21,68% no período. Em seguida aparecem Vulcabras (VULC3), também de têxtil, com 17,38%; Petrobras preferenciais (PETR4), de petróleo e gás, com 17,29%; Petrobras ordinárias (PETR3), com 16,22%; Tupy (LEVE3), classificada em veículos e peças, com 15,64%; e Bradespar (BRAP4), em “outros”, com 14,02%.

Os percentuais são médias dos proventos distribuídos entre 2023 e 2025, e não representam uma promessa de pagamento futuro. Além disso, o retorno efetivo de quem compra uma ação depende também da variação de sua cotação, da tributação aplicável e do momento de aquisição.

Por que o histórico de três anos é relevante

Um levantamento com data-base de 7 de agosto de 2026 mostrou que algumas ações apresentavam DY ainda mais elevado nos 12 meses anteriores. Syn Prop & Tech (SYNE3) aparecia com 64,53%, Grendene com 43,19%, Vulcabras com 32,62%, Log Commercial Properties (LOGG3) com 27,54% e Lavvi (LAVV3) com 27,26%.

O problema é que o indicador de 12 meses pode ser inflado por distribuições extraordinárias, venda de ativos ou redução de capital. Nesses casos, o acionista recebe um valor elevado em determinado período, mas isso não significa que a empresa consiga repetir o pagamento. Por isso, a média de 2023 a 2025 foi usada como filtro adicional de recorrência.

Como os juros altos afetam ações de dividendos

Quando a Selic sobe ou permanece em níveis elevados, a renda fixa tende a ganhar atratividade em relação à Bolsa. Ao mesmo tempo, o custo de financiamento aumenta, pressionando empresas mais endividadas ou dependentes de crédito para operar e investir. Companhias com geração de caixa robusta, por outro lado, tendem a enfrentar esse ambiente com maior capacidade de manter distribuições.

O próprio DY também pode subir sem que os dividendos aumentem: basta a cotação da ação cair. Assim, um percentual elevado pode indicar oportunidade, mas também pode refletir piora nas perspectivas do negócio, maior risco ou expectativa de redução dos pagamentos. A análise precisa incluir dívida, fluxo de caixa e origem dos proventos.

O que o Copom sinaliza para os próximos meses

O Comitê de Política Monetária reduziu a Selic pela quarta reunião consecutiva, em 0,25 ponto percentual. Apesar de o corte ser esperado, a comunicação foi mais cautelosa, indicando que o Banco Central acompanha a inflação e os efeitos dos cerca de R$ 200 bilhões em estímulos fiscais e parafiscais anunciados pelo governo.

No cenário-base da Rico, o ciclo de cortes deve ser interrompido após a redução deste mês. A projeção é de que a Selic termine 2027 em 11,50%, mas a trajetória dependerá da evolução dos preços, da atividade econômica e da percepção sobre as contas públicas.

O que observar antes dos próximos proventos

Para o investidor, a lista funciona como ponto de partida para investigar a sustentabilidade dos pagamentos, e não como recomendação automática de compra. É necessário verificar resultados, endividamento, geração de caixa e se os dividendos recentes vieram da operação recorrente ou de eventos não repetíveis.

O próximo passo do mercado será acompanhar novas decisões do Copom e os resultados das empresas. Se os juros permanecerem altos, a comparação entre dividendos e renda fixa continuará relevante; se os cortes avançarem, a queda dos rendimentos conservadores poderá alterar a atratividade relativa das ações, sem eliminar os riscos próprios de cada companhia.

Impacto para a sociedade

A Selic elevada mantém os investimentos conservadores mais atrativos e encarece o crédito para famílias e empresas. O ciclo de juros também influencia o preço das ações, a disposição das companhias para investir e, indiretamente, o custo de produtos e serviços. A sinalização de cautela do Banco Central pode prolongar esse ambiente de juros altos.