Seguradoras estão adaptando produtos, linguagem e atendimento para alcançar pequenos empreendedores, inclusive aqueles que trabalham dentro de casa ou não têm CNPJ. A iniciativa busca proteger motos, equipamentos e espaços usados para gerar renda, mas esbarra no orçamento: 89% dos moradores de comunidades terminam o mês sem dinheiro disponível, segundo pesquisa da CNseg com o Instituto Locomotiva.
Seguro tenta evitar que um imprevisto interrompa a renda
Para quem trabalha por conta própria, uma moto, um equipamento de salão de beleza ou o imóvel onde funciona um pequeno comércio podem representar anos de esforço. Quando um desses bens é danificado ou perdido, o prejuízo não se limita ao patrimônio: a atividade pode parar e comprometer a renda da família.
O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou que um único evento pode levar o pequeno empreendedor “novamente à estaca zero”. Nesse contexto, o seguro funciona como uma forma de reduzir o impacto financeiro de um prejuízo coberto, permitindo a reposição do bem ou a retomada da operação conforme as regras do contrato.
Produtos são ajustados para quem trabalha sem CNPJ
O fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, defendeu que as seguradoras desenvolvam produtos, formas de atendimento e linguagem a partir da realidade das comunidades. A proposta foi apresentada em uma feira de seguros realizada no dia 12, em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo.
Uma das soluções citadas é oferecida pela Mapfre. O seguro para o espaço físico do negócio pode ser contratado mesmo quando a atividade funciona na casa do proprietário. A companhia também oferece proteção pessoal e familiar que pode ser contratada pelo CPF, alternativa que facilita o acesso de trabalhadores sem empresa formalizada.
Interesse existe, mas disputa espaço com as despesas
A pesquisa da CNseg e do Instituto Locomotiva indica que 85% dos entrevistados já buscaram informações sobre seguros ou gostariam de conhecê-los. O dado mostra que há demanda por proteção, mas ela convive com uma restrição imediata de renda: 89% afirmam chegar ao fim do mês sem recursos disponíveis.
Na prática, o seguro precisa competir com alimentação, moradia, transporte e outras despesas recorrentes. Por isso, a adaptação dos produtos pode ampliar a compreensão e o acesso, mas não elimina a principal barreira: a falta de espaço no orçamento para pagar o prêmio, valor cobrado pela cobertura.
Clareza sobre cobertura evita surpresa na indenização
Julia Normande Lins, diretora da Susep, afirmou que a expansão do seguro deve considerar as características de cada comunidade e explicar em que situações o produto é útil. A orientação é comparar quais prejuízos geram direito à indenização, qual é o limite de pagamento e se existe franquia, parcela que fica a cargo do segurado.
Também é importante verificar a existência de carência, período em que determinadas coberturas ainda não podem ser acionadas, além das exclusões do contrato. Quem usa a casa, o carro ou outro bem para trabalhar deve confirmar expressamente se essa finalidade está incluída na apólice, documento que reúne as condições do seguro.
Presença local pode aproximar seguradoras dos empreendedores
A Favela Seguros, criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros com apoio social da CUFA, aposta na formação de representantes locais para oferecer proteção familiar. Além de distribuir os produtos, a iniciativa associa a atividade à capacitação e à geração de renda nas comunidades.
A empresa conta atualmente com sete representantes em Paraisópolis e mantém vagas abertas. Para os pequenos empreendedores, o próximo passo é transformar a maior oferta de produtos em contratação efetiva, conciliando proteção adequada, informação compreensível e um custo compatível com a renda disponível.
