O Santander reiterou a recomendação de compra para a mexicana Sigma Foods e a brasileira MBRF (MBRF3), mantendo preços-alvo de 24 pesos mexicanos e R$ 25, respectivamente. As duas empresas são as preferidas do banco no setor de proteínas nas Américas, mas a tese para cada ação depende de fatores diferentes: a Sigma combina custos menores e câmbio favorável, enquanto a MBRF conta com a força das exportações e a recuperação de alimentos processados.

Custos menores podem ampliar o resultado da Sigma

A Sigma Foods é a principal escolha do Santander em toda a cobertura de proteínas das Américas. A companhia mexicana produz e distribui carnes processadas, embutidos, queijos, iogurtes e outros alimentos refrigerados e congelados em mercados das Américas e da Europa. Entre suas marcas estão Fud, Campofrío, Bar-S e Yoplait.

O banco espera que os preços de matérias-primas, especialmente carne suína e carne de peru, fiquem melhores do que o previsto. Um ambiente cambial mais favorável também pode ajudar os resultados, ao reduzir a pressão relativa sobre custos e receitas em diferentes países.

Com essa combinação, o Santander projeta que a empresa supere o guidance — a meta divulgada pela própria companhia — de US$ 1,1 bilhão em Ebitda em 2026. A estimativa do banco está 5,7% acima desse objetivo e 4,6% superior à projeção média do mercado. Mesmo assim, os analistas avaliam que parte dos investidores ainda não incorporou totalmente a melhora operacional da Sigma.

Exportações sustentam a visão positiva para a MBRF

No Brasil, a MBRF continua sendo a preferência do Santander entre as empresas de proteínas, com preço-alvo de R$ 25. A avaliação positiva é sustentada principalmente pelo desempenho da divisão BRF, favorecida pelas exportações robustas para o Oriente Médio.

A companhia também pode se beneficiar da recuperação da demanda por alimentos processados, embora o consumo doméstico continue fraco. Esse movimento é relevante porque a venda de produtos processados tende a oferecer uma combinação diferente de margens e demanda em comparação com a comercialização de carne in natura.

O banco ainda espera uma melhora sequencial nos resultados da National Beef. Isso significa uma evolução em relação ao trimestre anterior, embora não implique necessariamente uma recuperação completa da unidade.

Pressão nos Estados Unidos e no milho exige cautela

Apesar da preferência por MBRF e Sigma, o Santander revisou para mais tarde a melhora do ciclo pecuário nos Estados Unidos. A instituição agora prevê que as condições do mercado de carne bovina norte-americana só se tornem mais favoráveis em 2028.

Na prática, margens abaixo do ponto de equilíbrio reduzem a capacidade de frigoríficos transformarem receita em lucro. O cenário também afeta empresas de aves, já que o milho acumula alta de aproximadamente 15% em 2026 e encarece a alimentação dos animais. Quando esse custo sobe mais rapidamente do que os preços de venda, a rentabilidade do setor fica pressionada.

JBS e Minerva permanecem com recomendação neutra

O Santander mantém recomendação neutra para JBS (JBSS32), Minerva Foods (BEEF3), Tyson Foods e Pilgrim’s Pride. Para a JBS, o preço-alvo é de R$ 76,30, e a cautela está ligada à expectativa de margens fracas na carne bovina dos Estados Unidos até 2028, além do impacto do milho sobre as operações de aves.

Para a Minerva, o preço-alvo é de R$ 4,50. Pesam contra a tese a suspensão das exportações brasileiras de carne bovina para a China e a expectativa de piora do ciclo pecuário no Brasil. Uma eventual retomada dos embarques para a Argentina e a liberação dos estoques da companhia podem apoiar os resultados no segundo semestre de 2026.

O que acompanhar nas ações a partir de agora

Para quem acompanha o setor, os principais pontos de atenção são a evolução dos custos de grãos e carnes, o ritmo das exportações e a recuperação da demanda por alimentos processados. Também será necessário observar a alavancagem, que mede o peso da dívida em relação à geração de caixa, além do perfil dos vencimentos e das iniciativas de gestão de passivos.

Esses fatores ganham importância em um ambiente de juros elevados no Brasil, que encarece o refinanciamento das empresas. A manutenção das recomendações mostra onde o banco identifica potencial operacional, mas os preços-alvo não eliminam os riscos ligados a commodities, demanda, câmbio e ciclo pecuário.